Poesia para enfrentar o caos
Demétrio Sena - Magé
Continuarei a cultivar poesia. Poesia para calar a alma, pasma de susto. Para conter uma indignação profunda; um nojo intenso. Para enfrentar o medo inevitável do futuro sombrio que as elites preparam justamente para o povo que a endeusa e aclama. Um povo bisonho, sem brio, sem talento pensante. Um povo lenha que vota no machado; povo galinha que vota na raposa; um povo barata que vota no "baigon", no chinelo e na isca.
Se ainda tenho esperanças na eleição de Lula? Tenho. Mas com temor de um congresso ainda mais inimigo do povo: os trabalhadores, as classes menos assistidas. Esse congresso montado para continuar fazendo leis em benefício próprio e dos grandes banqueiros, empresários e sugadores da mão-de-obra de quem já se acostumou a ser escravo e dizer "sim, senhor" a quem o escraviza. Tenho esperanças no talento sobrenatural de um presidente que inicia um projeto de país melhor para todos, dá andamento, mas as classes mais beneficiadas por ele sempre o traem, devolvendo direta ou indiretamente o país aos destruidores de cidadania.
Seguirei com poesia para enfrentar o caos, a distopia, o submundo da fé de má fé, do fanatismo e do amor pelo ódio às diferenças. Poesia que doravante poderá me custar o pau-de-arara, a inquisição e as proibições mais bizarras, como de pensar por conta própria, cultivar as artes e a literatura reflexivas... o senso crítico e a manifestação social. Não tenho como abrir mão da poesia. Ela me salva desde que me vi como gente.
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Respeite autorias. É lei