Dos Puxadinhos Existenciais
Demétrio Sena - Magé
Nós não mudamos, no mero contexto de deixarmos de ser quem somos. Mas ao longo dos anos passamos por algumas ou muitas reformas. Continuamos a ser nós mesmos, com os devidos puxadinhos determinados pelo tempo, de quem somos inquilinos. Algumas reformas nos melhoram (isso não deveria ter exceção), mas outras nos pioram, como pessoas voláteis que somos.
Para sermos ilustrativos, a pergunta que não quer calar é: quem nunca foi vítima de um pedreiro lambão? Quem jamais contratou um profissional nem um pouco profissional? Temos escolhas equivocadas e, algumas vezes, péssimas escolhas propositais, por motivos que nós mesmos desconhecemos... e pelos quais lamentamos quando já não tem jeito. Ou tem, mas as sequelas nos penalizam.
Seremos quem somos até o fim do nosso tempo; é a nossa essência. Mas a consciência de nossas posturas pode contratar os melhores reformadores existenciais do cosmo. Baques pessoais e algumas observações de baques alheios podem nos reformar a contento. Mas vai depender muito das nossas escolhas e o discernimento do que pode ser um trabalho lambão em nós.
Não nos tornemos piores, nos puxadinhos de quem somos, por pirraça contra o mundo ou contra nós mesmos. O arrependimento, quando já for tarde, poderá exigir que derrubemos quase tudo em nós, para recomeçarmos quase do pó. Isso é muito sofrido, as sequelas são profundas, e o pior de tudo: pode não haver mais tempo de vivermos plenamente o nosso novo eu.
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Respeite autorias. É lei