Dívida imensa
Demétrio Sena - Magé
De todas as razões que tenho para ser grato a pessoas raras e bem específicas, a maior delas é a confiança depositada em mim. Não é fácil para ninguém, numa sociedade padronizada, confiar em quem foge aos padrões. Quem não arrota discursos conservadores nem tem práticas religiosas. É despojado, exposto, ateu, anti-preconceitos. Mas que apesar de todos os defeitos, as manias e até as esquisitices, é incapaz de fazer mal... de arquitetar tramas para causar dano ao próximo e obter vantagens indevidas... vantagens pelas quais alguém eventualmente amargue alguma desvantagem em qualquer escala.
Quando preciso que façam algo por mim, e tantas vezes preciso, minha gratidão é imensa. Nunca sou ingrato (esta é uma de minhas raras virtudes). Mas até nos momentos difíceis, em que sou ajudado a passar por eles, pelo que mais agradeço a quem me ajuda é a confiança que faz esse alguém se solidarizar com uma pessoa tão complexa ou atípica em relação à ordem natural das coisas... ao comportamento natural das pessoas... ao que foi desenhado para uma civilização criminosa e que, por isso mesmo, carece de tantas regras, rótulos e "letras miúdas" ou propagandas externas enganosas.
Obrigado a seja lá quem for, com quem eu não precise temer pelo meu eu. De quem eu não precise me ocultar como quem sou. Que me veja mais profundo ao me olhar. Ninguém pode contar com todo mundo, neste aspecto. Para ser exato, com quase ninguém. Ter essa sorte, reconheço que não tem a ver com mérito pessoal. Por isso mesmo, significa uma dívida imensa de gratidão.
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Respeite autorias. É lei