171 da "Fé"
Demétrio Sena - Magé
É compreensível que há dois mil e vinte e seis anos as crises mentais e os comportamentos emocionais ou neurológicos extremos fôssem vistos e tratados como possessões malignas. Amaldiçoados como manifestações do suposto Satanás... ou o "inimigo das almas". Na época de Jesus Cristo, essa era exatamente a visão da sociedade sobre as doenças psíquicas e similares.
No século presente, não é concebível que o ser humano, ao adoecer da mente ou dos nervos, e precisar de terapias médicas especializadas, seja tratado como quem está possuído pelo Diabo. Com demônios no corpo; espíritos malignos; possessões espirituais. Ignorar a tal ponto a ciência e seus avanços comprovados é jamais ter deixado o mundo antigo. É continuar nas trevas da ignorância que matou e/ou segregou muita gente adoecida, que só precisava de uma terapia.
Essa forma de crença significa o ser humano jamais ter deixado de acreditar que mulheres e homens com inteligência além do tempo são bruxos e bruxas; logo, devem ser presos, torturados e mortos... ou a pessoa se subjugar à condenação religiosa e à própria culpa, por ser um endemoniado. Viver entregue a ladainhas, rituais, orações ou passes para se livrar de seus demônios que vêm, vão e voltam indefinidamente, como num direito inconstitucional macabro que a religião tenta impedir ou ou a fé alivia com improvisos.
Não há perdão para religiosos que sequestram a fragilidade psíquica, neurológica ou emocional dos doentes tratáveis pela medicina. Prendem esses doentes à religião e tiram proveito, arrogando poder sobrenatural. Com isso, ganham prestígio em seu meio ou pelo menos não ficam para trás, onde outros são agraciados por "um dom misterioso que vem do alto".
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Respeite autorias. É lei