Colunistas | Sena em Cena | 29 de janeiro de 2018 - 08:33

INCHAÇO SOCIAL

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Temos que achar urgentemente o tempo perdido em nosso egoísmo, para que seja possível nosso reencontro com os afetos perdidos. Com o sentido abstrato que a vida concreta esconde para nos obrigar a exercer o dom da procura.


Tanto concreto já nos faz virar estátuas de verdades vencidas e lançadas no escuro, enquanto inchamos de pura hipocrisia. Somos camuflados por virtudes banais que se tornaram pragas e proliferam indiscriminadamente como fachadas com as quais disputamos pódios puramente cibernéticos.


Tomamos todas as vagas da mídia, via redes sociais, com dedos que substituem o coração; fragmentos de verdades decoradas que massageiam nossas consciências. Constroem esse bom senso externo que está mais para bom sonso do que propriamente bom senso. Somos abrigos de virtudes virtuais.


Tudo nos pede para sermos quem somos. Melhorarmos de fato, para que o que somos possa valer a pena, mas não podemos nos iludir com a  ideia de sermos outros. E ao nos tornarmos “menos piores”, que o sejamos por fora e por dentro, e de dentro para fora, como reflexo de nossa verdade.


Seja como for, não sejamos apenas sentinelas e atores de qualquer onda que nos rodeia para fazer imitar as multidões. Nossos pés precisam reconquistar o chão como sementes férteis de verdades próprias, eivadas de tantas outras que sejam relevantes e consistentes para nossa humanidade.


Só nossas mãos poderão se achar. Só assim veremos flor no deserto, e nossos olhos nos levarão a transformar miragens em fatos. Trazer os melhores sonhos às melhores realidades possíveis. “Realidades reais”. Não virtuais.