22 de fevereiro de 2013 - 18:15

Poesia depois da queda

Minha poesia
Saltou de cima da estratosfera
Sem rima, nem métrica
Sem roupa de astronauta
Muito menos paraqueda
E se espatifou
Na Av. Presidente Dutra
Perto dos travestis e das putas
Minha poesia
Pulou do espaço
Sem jumpping, nem isca
Se partiu em pedaços
Quase caindo
Por cima dos parasitas
Minha poesia
Vadia
Esquartejada
Rolou asfalto a fora
Sem rítmo
Nem metafora
Sem charme
Nem a menor graça
Parecia ter comido
A poeira da via láctea
Minha poesia
Dividida
Caiu sem gozo
Nem dor
Parecia ter sido cuspida
Por uma espaçonave
Ou um disco voador
Minha poesia
Esquisita
Baixou sobre o planeta
Mais imprecisa
Que uma certeza
Mais certeira
Que uma dúvida
Mais suave
que uma maldição
Mais densa
Que uma benção
Minha poesia
Lá de cima
Viu a gigantesca
Bola verde e azul
Sem deixa, sem arte
Dentre as várias partes
Parte dela foi rolando
Até a Joaquim da Costa Lima
A outra até a Av. Brasil
Minha poesia
Esquisita
Baixou sobre o planeta
Mais imprecisa
Que uma certeza
Mais certeira
Que uma dúvida
Mais suave
que uma maldição
Mais densa
Que uma benção
Minha poesia
Lá de cima
Viu a gigantesca
Bola verde e azul
Sem deixa, sem arte
Dentre as várias partes
Parte dela foi rolando
Até a Joaquim da Costa Lima
A outra até a Av. Brasil
Minha poesia
Voraz
Veio despencando, despencando
Atravessou paraísos e umbrais
Sem se preocupar
Com seus rins
Nem com seu corpo
Atropelou anjos e querubins
Almas penadas
E espirítos de porco
Minha poesia
Suicida
Caiu e cai
Provando cada vez mais
Que nunca foi minha
É da disponibilidade
Da casualidade
Espiritual
É da vontade
Do movimento
Social.

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