12 de julho de 2015 - 23:32

Ah! Esse outro...

Esse outro que me chateia, me aborrece, me irrita.
Que fala quando desejo silêncio
E que se cala quando estou em completa euforia.
Que às vezes, quando me toca, me dá aversão
E quando me aproximo dele, impaciente, se afasta de mim.
Esse outro que insiste em bisbilhotar da minha lida
Quando nada quero comentar
E quando anseio tagarelar sobre mim,
Está ausente ou cansado.
Esse outro que não me acompanha no meu riso
Nem compreende o meu pranto
Que grita e reclama de tudo
Aumentando ainda mais a confusão
Do meu mundo já tão confuso.
Esse outro que me sufoca
Com cobranças e posicionamentos
Se importando muito mais
Com que os outros possam pensar ou falar
Do que como eu estou física ou emocionalmente
Naquele específico momento.
Esse outro que me cala, me trava, me poda.
Que manda aquietar-me
Quando desejo ardentemente me expandir
E que me cobra projetos, idéias, motivações
Quando na verdade quero apenas hibernar.
Esse outro tentando completar minha incompletude
Leva-me a perceber que igualmente ele é incompleto
Precisando tanto de mim, quanto eu dele.
Esse outro, ainda que se esforçando em me acompanhar
Na minha constante roda gigante
Ou na minha montanha russa
Está da mesma forma, preocupado em prever minhas crises
Não se apercebendo que não se previne o imprevisível.
Esse outro que me olhando com o olhar
De comparação, resignação, aflição
Não se dá conta de que preciso apenas
De olhar de atenção, compreensão, parceria.
Ah! E é justamente esse outro
Que me leva a entender, que muita das vezes
Eu também sou o outro na vida dele.

Autora: Edna das Dores de Oliveira Coimbra

Nenhum comentário

Seja o primeiro