Sismografia | 29 de novembro de 2016 - 21:44

O interior das palavras

Dentro de uma palavra podem caber várias outras.  


A palavra fuselagem, a título de exemplo, me suscita um gosto de morte. Sinestesia...


1995. Bairro do Sabugo, Paracambi. Em frente ao córrego. Os Mamonas morreram,  alguém me diz.


Dali em diante, eu, cinco anos, ouvi a palavra fuselagem por semanas, na disputa dominical entre Faustão e Gugu. .


Dentro da palavra mídia, cabe desrespeito. Postam fotos e imagens fortes a troco de audiência, de curtidas. Imorais. À época dos Mamonas, havia o site Cabuloso. Era tipo uma casa mal-assombrada: só acessava quem tinha coragem. Hoje, as páginas de facebook mostram as fotos como se fossem maquetes de engenharia.


Dentro da palavra pensamento, cabe conspiração. É a turma que encontra ligações entre a intervenção da ANAC no voo e a votação da PEC 241, como se nós tivéssemos algum problema mental e não soubéssemos dissociar a dor pela perda de pessoas queridas dos rumos do país. São duas faces da mesma moeda: o mundo real, que gira, como no inicio de cada partida, indicando os sortudos e os desafortunados...


Dentro da palavra morte não há palavra alguma: ninguém sabe o que vem depois. 


Dentro da palavra vida, porém, avisto frágil. Quebradiça é a existência, como a fuselagem e suas asas que se despedaçam numa queda de avião.


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Sobre o autor

Escritor e professor.

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