Sismografia | 16 de julho de 2016 - 10:54

A fugacidade das emoções

Se a nossa vida dependesse de emoção não valeria a pena manter-se vivo. Não compensaria o custo-benefício. A pergunta que suscita tais deduções é: quanto tempo duram nossos sentimentos? A resposta é rígida, mas deve ser dita: segundos.


Pensemos bem: quando um estudante está corrigindo seu gabarito de concurso público ou de vestibular, há ali uma aflição, sentida através de um frio na barriga, que pode ser pelo medo de descobrir-se perdedor ou pela ansiedade de encontrar-se com a vitória. Afinal, os acertos de uma prova podem acertar uma vida inteira. Ao topar com o êxito, ocorre uma explosão, que talvez seja a melhor sensação da vida do sujeito.


À noite, ele reúne-se para uma pizza e um chope com o cônjuge, filhos, se for o caso, pais, caso ainda vivam, e toda a sorte de amigos que a vida permitiu conservar até ali. Mas emoção não haverá nenhuma. Naquela mesa, onde a maioria estará mexendo no celular, será celebrada apenas a memória da emoção, consoante a qual o aprovado irá relatar como foi maravilhoso o momento crucial de descoberta da vitória, instante o qual percebeu que acertara questões que o habilitavam a ser aprovado e classificado, além do quanto será bom ter uma vida mais estável a partir dali, e ainda o quanto é grato a todos pela força direcionada a ele em todo o tempo de luta.


Nesse ínterim, certamente algum convidado usará o celular para registrar a ocasião. Mas o flash não acarretará em nenhuma emoção das grandes. Nada além de um sorriso insosso e um abraço sem tato.


Logo, a festa será um culto à memória dos sentimentos. Porque os sentimentos são fugazes. E essa efemeridade do sentir é a coisa mais dolorida da vida. Portanto, rememora-se. Portanto, celebra-se. Portanto, registra-se, escreve-se, pinta-se, esculpe-se, entalha-se. Fotografa-se. Por isso fazemos arte. Porque a arte é um depósito de pensamentos raros. A arte é um altar à memória das boas idéias.


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Sobre o autor

Escritor e professor.

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