23 de novembro de 2016 - 19:51

Princesa da Nigéria visita templos de candomblé na Baixada Fluminense

Baixada Fácil

Princesa da Nigéria visita templos de candomblé na Baixada Fluminense

A próxima segunda-feira (28/11) será histórica para a cultura afro-brasileira: pela primeira vez, em 36 anos, a Medalha Pedro Ernesto será entregue a uma Iyalorisa (sacerdotisa do candomblé). A eleita é Rosângela D´Yewa, líder da Aldeia Oloroke Ti Efon. Além disso, outros 35 líderes de religiões de matriz africana, mulheres em sua maioria, receberão moções honrosas - entre eles está a princesa nigeriana Arewa Folashade Adeyemi, da família real de Oyo, região no sudoeste do país africano. As moções serão entregues pelo vereador Professor Uóston (PMDB), que indicou a Iyalorisa Rosângela D´Yewa para a honraria após visitar o projeto social que ela desenvolve na região de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro.


Além do evento na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a princesa Arewa Folashade Adeyemi, que visitará o país pela segunda vez, aproveitará a vinda para conhecer templos candomblecistas na Baixada Fluminense e Zona Oeste, conhecendo as iyalorisas mais experientes das religiões afro-brasileiras, estreitando relações culturais da Nigéria com o Brasil e possibilitando futuras ações e intercâmbios entre os dois países. Além disso, a comitiva de boas-vindas lideradas pela Iyalorisa Rosângela guiará a princesa a pontos culturais importantes como o Cais do Valongo e o Instituto Pretos Novos, além dos pontos turísticos tradicionais como Cristo Redentor, Pão de Açúcar e Boulevard Olímpico.


A princesa Arewa Folashade Adeyemi é reconhecida internacionalmente pela sua militância feminista, política e anti-semitista - e o momento de sua visita é apontado pelos líderes de religiões de matriz africana como o mais propício possível, pois é notório que o estado está em transição e eles temem um retrocesso nas liberdades religiosas. “O prefeito Eduardo Paes fez importantes avanços e reconhecimentos para nossas religiões. Em janeiro começará outro governo, e temos medo de sofrer um retrocesso em relação à liberdade religiosa”, teme Rosângela D´Yewa, ainda assim reconhece a importância do reconhecimento: “Serei a primeira Iyalorisa a receber a Medalha Pedro Ernesto, tendo apenas o conhecimento de um Babalawo e Babalorixa José Nilton Vianna Reis, Fa Sayo Ogun Torode (líderes religiosos masculinos) que recebeu, mas eu serei a primeira Iyalorisa (líder religiosa)”, orgulha-se ela, que sugeriu ao vereador Uóston a entrega de moções honrosas a 35 lideres de religiões de matriz africana, a maioria mulheres, as quais se refere, como “Mulheres Empoderadas”, que resistiram por anos, na luta pela religiosidade, que também serão homenageados na Câmara Municipal.


“Quando convidamos a princesa, ela já tinha compromisso em Cuba, na mesma data, pensamos que nem viria, mas ela ficou tão contente que enviou outra pessoa e optou por vir ao Brasil”, conta a Iyalorisa que é Embaixadora Cultural de Oyo no Brasil. Para a Iyalorisa, a princesa e seu país têm muito a ensinar para os afrobrasileiros. “Na Nigéria, o negro tem contato direto com sua história e ancestralidade, e tem orgulho de quem é. No Brasil, o negro precisa de Lei, como a 10639/03, para garantir o conhecimento de sua historia, e mesmo assim é burlado, devido a episódios de Intolerância Religiosa, prejudicando sua auto imagem e por consequência sua auto-estima", justifica a psicóloga e Iyakekere, Maria da Penha D´Yewa.


Sobre o Reinado de Oyo


Oyo é um grupo dos povos de língua ioruba que habita o Sudoeste da Nigéria. Como outros povos da região, como os hauçás e os fulas, têm ligações ancestrais com o Oriente Médio. Embora agricultores, muitas vezes vivem em grandes cidades pré-industriais. Cada grupo tem um chefe supremo, ou obá, apoiado por um conselho de chefes. O oni de Ife é o líder espiritual dos iorubas, e o alafin de Oyo é o seu líder político, são os chefes mais poderosos; sua influência é reconhecida em todas as áreas iorubas.


Sobre a princesa


Arewa Folashade Adeyemi, de 51 anos, é filha do Alaafin (rei) de Oyo, Oba Olayiwola Lamidi Adeyemi III. Ela cresceu e estudou nos Estados Unidos, onde formou-se em Marketing e Negócios, trabalhando na área por vários anos, até retornar à Nigéria. De volta ao seu país, engajou-se no movimento feminino e na Política, tornou-se diretora da ONG Gender and Development Action, GADA (Ação de Gênero e Desenvolvimento, em tradução livre), em 2005. Forte ativista feminina, tornou-se uma das diretoras da GADA.


Dedicou-se, nos últimos sete anos, à promoção da Cultura Ioruba, pela qual se diz apaixonada, criando exposições sobre o tema. Em 2013, criou a Casa de Cultura Awera, empresa de consultoria para o Alaafin de Oyo. Arewa Folashade Adeyemi participa ativamente de conferências internacionais, seminários, entre outros eventos, representando seu pai e a casa de cultura. Recebeu prêmios por seu grande esforço em promover a cultura ioruba.


Sobre a Iyalorisa Rosângela D´Yewa


Atuante no Candomblé desde a infância, a Iyalorisa Rosângela D´Yewa, também de 51 anos, é envolvida com expressões artísticas desde os dez anos de idade, quando apresentou-se a um grupo de nigerianos recém-chegado ao Rio. É embaixadora cultural de Oyo no Brasil, desde o início do ano, sendo escolhida pela princesa após recepcionar o rei de Oyo em uma visita a Salvador, em 2014. Atualmente, atua na conscientização afrobrasileira de crianças, seu trabalho vai além da religião, ela procura trabalhar representatividade e reconhecimento. Criou o Projeto Mulheres Emponderadas, que procura conscientizar mulheres das religiões de matriz africana.
 


Medalha de Mérito Pedro Ernesto


A Medalha de Mérito Pedro Ernesto foi criada através da Resolução nº 40, em 20 de outubro de 1980. Ela é a principal homenagem que o Rio de Janeiro presta a quem mais se destaca na sociedade brasileira ou internacional. Recebeu esse nome em reconhecimento ao trabalho do prefeito Pedro Ernesto, e por isso, sua figura é estampada nas duas Medalhas que fazem parte do conjunto, uma presa ao colar e a outra para ser colocada na lapela do homenageado. Ambas são presas em uma fita de cores azul, vermelha e branca que são as cores da bandeira da cidade.



SERVIÇO:


Entrega da Medalha Pedro Ernesto à primeira yalorisa e 35 moções honrosas a líderes de religiões de matriz africana
Local: Câmara Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano, s/n, Cinelândia)
Data: 28/11/2016, a partir das 14h
Na quarta-feira, a princesa estará em Santa Cruz da Serra, Duque de Caxias, a partir das 10h


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