Colunistas | Sena em Cena | 20 de maio de 2018 - 21:03

SEMELHANTES

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Ninguém é mais nem menos inteligente porque tem ou não tem perfil em rede social ou porque no momento não o está usando. Porque assiste ou não assiste novela. Nem porque gosta da rede Globo ou da BandNews. Ama ou odeia o Lula. Grita ou não FORA TEMER.


O maior indicativo da inteligência humana está em fazer o melhor uso de suas escolhas e preferências e ser livre para perceber o que é bom ou mau no bem e o mal que ele convencionou, se é que não foi levado a convencionar. É ser livre para mudar de lado e conceito; para ser ou não aquela metamorfose ambulante cantada pelo Raul Seixas e jamais dever nenhuma explicação a ninguém. Livre, sobretudo, para conservar ou romper com ideologias cristalizadas, sejam marginais ou de ofício. De esquerda ou direita.


Temos em todo o caso, que reconhecer quando o outro tem razão, mesmo que o coletivo do qual somos adeptos grite que não e teime que o outro nunca está certo em nada. Esse poder de reconhecimento e confissão sincera é o parágrafo único dos credos, ideologias, partidos, times e tudo o mais. Aprendamos a discernir o coletivo do singular e as verdades de ofício e de grupo das que são pessoais e intransferíveis. Não transformemos as lutas por conquistas coletivas em brigas particulares contra o semelhante que pensa e crê diferente.


No fim das contas, pensar e crer diferente não me torna superior ao próximo. Em nenhuma hipótese as nossas diferenças indicam graus e degraus de humanidade. Sobretudo, não nos despojam do status (ou do fardo) de semelhantes.