Cantinho do Chico | 05 de setembro de 2011 - 19:48

Tragédia mais que anunciada

Bonde transporta alegria e esperança. Bonde elétrico carrega a serenidade de quem, mesmo indo ao trabalho, pode contemplar detalhes de cada rua, de cada casa, dos passantes.. Esse antigo veículo sobre trilhos urbanos aproxima os passageiros. E a relação entre esses e os que o operam, motorneiro e cobrador, é fraterna, afável, de conversa boa. Bonde é tradição bonita que resiste em algumas cidades do mundo.

No Rio, na querida S. Teresa de tanta gente boa, os bondinhos resistem há 115 anos, desde 1º de setembro de 1886. Cartão postal da cidade é lugar de encontro de turistas e moradores do bairro. O valor da passagem, R$ 0,60, o torna meio de locomoção acessível para os trabalhadores e trabalhadoras que moram nas diversas favelas que se estabeleceram na região.

Bonde, agora, virou caminho de medo, dor e tragédia. Veículo de morte! Pelo descaso das autoridades estaduais, os acidentes nos bondes têm se multiplicado. Agora com uma nova tragédia que ceifou a vida de 5 passageiros e feriu outros 57. Claudia Fernandes, João Batista Soares, Ivone da Silva, Maria Eduarda Nunes e o maquinista Nelson Correa estariam vivos se o Governo do Estado tivesse cumprido a determinação do Judiciário que exige a manutenção dos bondes.

Não se pode mais falar em fatalidades. A morte da professora Andréa Rezende, em 2009 e do turista Charles Damien, há poucos meses, já deviam ter provocado iniciativas definitivas para que novos acidentes não se repetissem. Mas não foi isso que aconteceu. Levantamento do Jornal O Globo aponta que o governo empenhou (reservou para pagamento), em 2007 e 2008, apenas 7% do previsto no programa de “revitalização, modernização e integração de bondes”, que consta do orçamento da Companhia de Engenharia de Transportes e Logística (Central), responsável pelo transporte.

A população de Santa Teresa quer a continuidade dos serviços de bonde no bairro. Eles fazem parte da identidade de seus moradores. Os bondes restaurados, municipalizados – para um maior controle pela população, bem mantidos, populares, são uma ótima alternativa de transporte.
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Sobre o autor

Chico é professor, formado em História pela Universidade Federal Fluminense. Defendeu tese de Mestrado em Educação na Fundação Getúlio Vargas sobre o movimento das Associações de Moradores do Rio, do qual foi um dos líderes no início dos anos 80. Lecionou durante mais de duas décadas em colégios da rede pública e particular do Rio de Janeiro. É professor licenciado de Prática do Ensino de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Foi vereador do Rio de Janeiro, pelo PT, de 1989 a 1996. Participou da elaboração da Lei Orgânica e do Plano Diretor da Cidade, sempre apresentando emendas reivindicadas pelos movimentos populares. Em 1998 foi eleito deputado estadual: presidiu a Comissão de Direitos Humanos e foi vice-presidente da Comissão de Educação da ALERJ. É Deputado Federal, eleito pelo PT em 2002 - de novo o mais votado - e reeleito em 2006 pelo PSOL, com 119 mil votos.

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