Colunistas

Crônica do poeta

Marlos Degani

No dia em que conheci o meu mestre Ivan Junqueira, notei a sua caneta no bolso esquerdo junto do maço de cigarros e do isqueiro.

Gosto de escrever sobre o que gosto e também sobre o que eu não gosto.

Estou caminhando a passos largos para a minha 11º Copa do Mundo. Na minha conta, entretanto, o negócio começa mesmo na de 1982, século passado. Isso mesmo: século passado. Pulemos esta parte.

Já escrevi aqui que tenho minhas rabugentices de plantão.

Sinceramente a cada dia que passa me atrevo menos diante da afirmaç

Sei lá, sei lá...

Desde quando assisti ao documentário da Izabel Jaguaribe sobre o Paulinho da Viola, passei a compreender a saudade de uma forma diferente.

 

Sempre tive meu pezinho 45 atrás com aqueles que vociferam que nunca se arrependeram de nada na vida. Que fariam tudo de novo igualzinho, da mesma forma que fizeram.

O fardo do tempo
não oxidou meu ferro
não esfarelou o desejo
não inutilizou este arrepio

intenso e teimoso e rebelde
que percorre todo o meu corpo
célula por célula, pêlo por pêlo

Eu deixei a poeira das Olimpíadas se acomodar um pouco.

O rádio sempre exerceu na minha vida um papel de extrema importância.

Renato Russo escreveu: “Já morei em tanta casa que nem me lembro mais...”. Eu também. Numa dessas conheci o Seu Adauto. Um negão de 85 anos.

Desde que passei a trabalhar, exceto no meu primeiro emprego num banco, sempre foi lá pelo Centro do Rio.

Eu estava com a minha crônica sobre o Centro do Rio prontinha, prontinha.

Quem é que não gosta de uma lista? Eu mesmo já impliquei muito com elas. Mas já não resisto a uma matéria dos dez mais disso ou dos dez mais daquilo. É quase um vício.

Descer o morrinho da Rua Lopes Trovão, ali perto do hospital N.S. de Fátima, em Nova Iguaçu, significava muitas coisas para mim quando era criança.

Já escrevi aqui algumas vezes que, no limiar dos 40 anos, estou inexoravelmente tomado pela rabugentice crônica. Ser rabugento não é charme. Já foi.