Sena em Cena | 23 de fevereiro de 2018 - 08:22

RELACIONAMENTOS E AUTOESTIMA

Se uma pessoa que lhe deu corda e liberdade, com base numa relação inicial de confiança, de repente surge com expressão contraída, embora simpática; uma névoa na voz reticente, apesar do leve sorriso; uma redução expressiva da expansividade ou da franqueza que afirmou ter, não insista. Avalie com toda a sua verdade, se você não foi invasivo nem abusou de alguma outra forma dessa confiança – pois neste caso terá que haver uma retratação –, e não sendo assim, trata-se de um chega pra lá, com a devida gentileza de quem sabe que não foi verdadeiro nas vezes anteriores. Nos engenhos dos primeiros contatos.


Aceite o fim, mesmo no começo da relação, seja de amizade, paquera, namoro, qualquer outra, e não discuta essa relação; não vale a pena. Quem leva um chega pra lá, por mais suave ou gentil que seja, e restabelece a convivência, é candidato a levar outro chega pra lá, restabelecer novamente, levar mais um, e assim por diante, até que se firme uma relação em que um dos dois estará sempre abaixo. Sempre à disposição das variações de humor e vontade que o outro impõe, sem nenhum direito a viradas, por ficar estabelecido que este não terá vontade nem tempo próprio; dependerá sempre das vontades, do tempo e dos caprichos de quem sabe que o tem nas mãos. Pelo menos até que tudo se torne sem graça ou enfadonho para ele, que, depois de tudo, partirá para novos desafios.


Observe as diferenças sutis até nos convites que o indivíduo faz. Se antes ele dizia: “Ligue pra gente conversar; estarei disponível tal hora...” ou: “Apareça lá, será um prazer, estarei à espera...”, e agora diz, com um carinho arranjado: “olhe; quando quiser, pode ligar...” ou: “se quiser, pode aparecer qualquer hora...”, desligue e desapareça. Você fará um bem a si mesmo e à outra pessoa, embora tudo mostre que ela pensa gostar desse jogo de submissão, na qual será sempre o lado mais forte. Também observe a redução da frequência com que a pessoa o procurava, e da questão que ela fazia e faz de sua presença. O quanto nunca estava ocupada e agora sempre está, e o número de vezes em que aparecem os tais “dia desses...”, “qualquer hora...”, a gente vai se falando...”, “fique à vontade...”.


Não aceite relações desiguais. Nas amizades, paqueras, amores, contatos online ou colegagens de rua, não deve haver nenhuma hierarquia. Fuja de qualquer relação que aponte para desigualdades de rotina. Um bom conselho é aquele do início desta conversa: observe nos menores detalhes e sutilezas; nas menores mudanças faciais; de voz; até de mensagens escritas e tantas outras que o acervo de sutilezas permite, quando você está levando um chega pra lá. Chegue mesmo, pra lá. Só aceite uma relação em que ambos os lados tenham para o outro a mesma disponibilidade. A mesma estima. A mesma confiança.


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Sobre o autor

Demétrio Sena. Nome completo: Demétrio Pereira Sena. Morador de parque das Flores em Magé. Autor de nove livros. Fotógrafo. Arte-educador (animador cultural) da Secretaria Estadual de Educação. Palestrante e oficineiro (de modalidades literárias, origami, bola mania, impostação de voz e fotografia) em escolas, empresas e outros ambientes.

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