Introcitação poética
Paratodos
(trecho)
Viva Erasmo, Ben, Roberto
Gil e Hermeto, palmas para
todos os instrumentistas
salve Edu, Bituca, Nara
Gal, Bethânia, Rita, Clara
evoé, jovens a vista.
(Chico Buarque)
A nova geração da MPB no século XXI
A novíssima música popular brasileira, neste começo de século, ainda é razoavelmente imprecisa. Algumas de suas configurações mais atuantes apresentam-se na forma de projetos musicais, coletâneas, discos independentes, pequenas gravadoras e selos.
A MPB que se faz hoje incide basicamente nos seguintes itens: samba de raiz; o rock atual; o choro; os espaços alternativos; os bares como fomentadores de uma nova geração de intérpretes; as emissoras segmentadas; os filhos de peixe e o retorno dos que não foram (bandas que voltaram com nova formação), sendo cada um desses tópicos responsáveis por uma boa parcela de sua renovação.
É claro que não há espaço para citarmos todos que mereciam ser citados. A seguir traçarei um pequeno painel com o que se produziu e se produz no Brasil nesta virada de século.
Movimento de resgate do samba e do choro:
Em grandes capitais brasileiras como Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, nas quais o gênero “samba” é mais atuante, em decorrência das características de música predominantemente urbana – o samba vem sendo revalorizado e retomado como elemento musical aglutinador por gerações de novos compositores e intérpretes.
Quando dizemos “retomado”, referimo-nos ao fato de que esse gênero, predominantemente brasileiro e de exportação, talvez não tenha, através dos anos, sido tão valorizado e difundido quanto à chamada música imposta comercialmente pelas gravadoras através de vários artifícios, como jabá, por exemplo. Entre as mais executadas, por imposição ou não, destacam-se o axé-music (baiano), o pagode (paulista, carioca e mineiro) e o sertanejo (paulista).
Quanto ao samba e sua revalorização, além dos grupos surgidos na década de 1960 e os vários espetáculos do gênero no Teatro Jovem e Teatro Opinião, principalmente, nos quais surgiram ou se apresentavam A Voz do Morro (Anescarzinho do Salgueiro, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento, Oscar Bigode, Paulinho da Viola, Zé Cruz e Zé Kéti) e Os Cinco Crioulos (Anescarzinho do Salgueiro, Elton Medeiros, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho e Paulinho da Viola, depois substituído por Mauro Duarte), entre muitos outros grupos, houve um marco por essa época, mais precisamente no ano de 1964 quando da apresentação do musical “Rosa de Ouro” e quatro anos depois, com o musical “Mudando de conversa”.
Em 1970, Paulinho da Viola produziu o primeiro disco da Velha-Guarda da Portela, “Portela, Passado de Glória”. Na década seguinte, com o surgimento da primeira geração do pagode (Zeca Pagodinho, Grupo Fundo de Quintal, Jorge Aragão, Jovelina Pérola Negra etc) houve um certo boom no gênero.
Nos anos 90, o samba tanto no Rio de Janeiro, quanto em outras cidades foi “redescoberto” pelas novas gerações. Merecem atenção especial esforços de Marisa Monte que produziu através de seu selo Phonomotor os discos “Tudo Azul”, da Velha-Guarda da Portela e os CD’s solo de Jair do Cavaquinho e Argemiro Patrocínio. A antropóloga Lélia Coelho Frota, através da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, possibilitou o CD-livro “Mangueira – Sambas de Terreiro e Outros Sambas”.
Por seu turno, Zeca Pagodinho viabilizou através da Universal Music a coletânea “Quintal do Pagodinho” trazendo à tona Wilson das Neves, Efson, Zé Roberto, Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande, Jorge Macarrão e Octacílio da Mangueira, entre outros. A gravadora Indie Records com suas coletâneas “Os Melhores do Ano”, foi uma das responsáveis pelo relançamento de Jorge Aragão em 1997 com o disco “Sambista a bordo”. Jorge Aragão passou a vender milhões de discos, através de uma política mais direcionada ao samba de melhor qualidade. Aragão, ex-artista da RGE, gravadora pela qual não vendia nem 10 mil cópias por disco, tendo em vista o investimento da RGE em outros artistas de samba mais ‘comercialmente viável’. Revalorizado pela Indie, passou a ídolo nacional com tiragem superior a 500 mil cópias em seu disco “Ao Vivo”.
Ainda no Rio de Janeiro a gravadora Nikita Music relançou discos originalmente produzidos por Katsonuri Tanaka para o mercado japonês.
Em Salvador, também neste final de século, houve a preocupação da revalorização de seus maiores valores, estes tiveram sua obra regravada e relançada: Edil Pacheco, Batatinha, Ederaldo Gentil e Alcyvando Luz.
Em São Paulo, discos como “História do Samba Paulista”, de Osvaldinho da Cuíca (gravadora CPC-Umes) reuniu nomes importantes como Germano Mathias, Aldo Bueno e Thobias da Vai-Vai, e em outros esforços isolados compositores como Geraldo Filme e Adoniram Barbosa, foram “redescobertos” pelas novas gerações.
No Rio de Janeiro, além da revitalização da Lapa e adjacências, como centro propagador do samba tradicional e ainda de novos valores (entre intérpretes e compositores) foram criados vários projetos mais especificamente ligados ao samba.
Entre os mais importantes podemos destacar “Meninos do Rio”, em 2001 no CCBB no qual se apresentaram Nei Lopes, Dauro do Salgueiro, Nelson Sargento, Dona Ivone Lara, Baianinho, Niltinho Tristeza, Casquinha, Zé Luiz do Império, Nilton Campolino, Monarco, Jair do Cavaquinho, Elton Medeiros, Luiz Grande, Jurandir da Mangueira e Aluízio Machado.
Em 2004 lembramos o “Projeto Brasil de Todos os Samba” que reuniu Riachão e Roque Ferreira (BA), Jussara Silveira e Dona Ivone Lara (RJ), entre outros, no Centro Cultural Banco do Brasil, dando uma pequena idéia da diferença na produção de samba nos diferentes estados do país. Um outro projeto também de suma importância foi o “O samba é a minha nobreza”, em 2005 (criado por Hermínio Bello de Carvalho e apresentado no Cine Odeon, na Cinelândia) e por último, pois a lista de projetos seria imensa, o projeto “Samba guardado” em 2006, criado pelo violonista Luís Felipe de Lima com a ajuda do poeta Paulo César Pinheiro e da cantora Cristina Buarque que cederam sambas inéditos de Cartola, Nelson Cavaquinho, Alcides Malandro Histórico, Pedro Caetano, Monarco, Tantinho da Mangueira, entre outros compositores já falecidos e ainda vivos na ocasião do projeto.
Outro gênero musical “revitalizado” foi o “choro”. Esforço de Maurício Carrilho e Anna Paes, ambos com bolsa da Fundação RioArte para pesquisa do gênero, desenvolveram um trabalho sobre composições inéditas de Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros, Carramona, Irineu de Almeida, Mário Álvares, Felisberto Marques e Chiquinha Gonzaga, entre outros.
Entre os novos grupos e artistas surgidos na década de 1990 merecem citação especial: Abraçando Jacaré, Yamandú Costa e Água de Moringa.
Importante e também relevante, foi a atuação de pelo menos dois selos fonográficos: Acari Records, criado em 1999, com o lançamento de artistas como Luciana Rabello, Maurício Carrilho, Álvaro Carrilho e Amélia Rabello, e o Selo Biscoito Fino, responsável por ampla coletânea de choro, além de preciosos resgates musicais, por Humberto Francheschi, de discos produzidos pela Casa Édison.
Em 2007 o flautista e empresário paulista, radicado nos EUA, Daniel Dalarossa, fundou o selo Choro Music, especializado no gênero e com distribuição e atuação nos Estados Unidos e Canadá.
O rock atual:
O rock no Brasil teve início na década de 1960, mais como movimento de Iê-Iê-Iê-Iê, de que como propriamente rock, porém, mantendo sempre a sua inquietação de valores, destacando-se nesta época os grupos Beat Boys, Aladin Band, A Bolha (Lincoln, Ricardo, César Ladeira e Renato Ladeira) e Bixo da Seda (Mimi e Marcos Lessa, Renato Ladeira e Pecos Pássaros etc) entre outros.
Na década de 1970 o gênero ganhou valores nacionais de peso, nomes como Mutantes (Rita Lee, Sérgio Dias, Arnaldo Baptista, Liminha e Dinho Leme), Rita Lee (carreira solo), Raul Seixas, Vímana (Fernando Gama, Luiz Paulo, Lobão, Lulu Santos e Ritchie), O Terço (Jorge Amiden, Vinicius Cantuária, Sérgio Hinds, Flávio Venturini, Sérgio Magrão, Luiz Moreno e César das Mercês), A Barca do Sol (Nando Carneiro, Muri Costa, Jaques Morelenbaum, Beto Rezende, Marcelo Costa, Rui Motta, Marcelo Bernardes, Ritchie, Alain Pierre e David Ganc), Almôndegas (Kleiton e Kledir etc), Banda Atômica (Vinícius Cantuária, Arnaldo Brandão e Nelson Jacobina), Ad Canto, Banda Revólver, Aquarius Band, Equipe Mercado, Ave de Veludo e Baggas Guru, etc.
A geração seguinte, a chamada “Geração 80”, firmou definitivamente o gênero, fazendo com que se tornassem grandes vendedores de discos e ídolos nacionais. Importante salientar que, para o surgimento e fixação de muitos grupos foi decisiva o apoio da Rádio Fluminense, “A Maldita”, de Niterói, Estado do Rio de Janeiro e ainda a Rádio Brasília, em Brasília, também responsável pela fixação da maioria dos artistas dessa geração, seguidas depois pela Rádio Transamérica e Rádio Cidade.
Sobre essa geração transcrevo um trecho da entrevista do guitarrista Victor Biglione “Victor Biglione e Andy Summers – Sintonia em seis cordas – Guitarrista Brasileiro / Guitarra inglesa sotaque brasileiro”, concedida à Revista BackStage em 1998:
“Eu acho fraquinho. O Barão é a banda mais correta, embora eu acredite que o destaque do Barão era o Cazuza. Sinto falta dele. Acho que o Frejat faz o papel dele, mas falta aquela genialidade. Falta alguma coisa mais, não só no Barão, mas no rock brasileiro como um todo. Não saberia definir exatamente o que é, mas é algo que os Novos Baianos possuíam de sobra e que eu nunca mais vi. Aquele conjunto dos Novos Baianos, com o Pepeu, o Jorginho e o Dadi, conseguiu isso. Nenhum guitarrista do rock brasileiro tem o nível do Pepeu e, durante um certo tempo, este nível ficou muito evidente. Na verdade, rock brasileiro pra mim é o disco Gal-Fatal - que tem coisas do Leni e do Pepeu -, A Cor do Som, algumas coisas dos Mutantes – especialmente do início – o Erva Doce, com o competentíssimo Marcelo Sussenkind na guitarra, e algumas coisas do Rádio Táxi. Infelizmente o Rádio Táxi se perdeu por preocupações que pouco tem a ver com música”
É claro que, alguns grupos mais efêmeros não conseguiram se firmar através dos anos. Na realidade, segundo entrevista de Renato Russo no tablóide musical “International Magazine”, fundado em 1990 por Marcelo Fróes e Marcos Petrillo, já no ano de 1989 essa geração sofria com a queda das vendas de seus discos. A crise estava em curso. Renato Russo afirmava:
“Lobão saiu dos Ronaldos; acabou o RPM e o Camisa de Vênus. O grupo Kid Abelha na repetia as vendas anteriores... só o Barão, Paralamas, Titãs, Legião e Engenheiros seguraram a onda”.
No ano de 1986 a Blitz encerrou a carreira às vésperas de gravar um novo LP. A última grande venda dos Paralamas do Sucesso havia sido em 1986 com o disco “Selvagem?” e da banda Titãs, dois discos haviam tido sucesso de público, sendo eles “Cabeça dinossauro”, de 1986 e “Jesus não tem dentes no país dos banguelas”, de 1987. Contudo, todos os grupos lá pelo ano de 1989 não vendiam mais nada. O único que ainda conseguia a faceta de vender um milhão de cópias era o Legião Urbana com o disco “Quatro Estações”, neste mesmo ano de 1989.
Portanto, a crise do rock nacional chegou poucos anos depois de seu ressurgimento. Ainda assim, o rock nacional foi representado neste final de século por nomes como Barão Vermelho, Cazuza, Arnaldo Antunes, Renato Russo, Lobão, Júlio Barroso, Roberto Frejat, Kid Abelha, Skank, Jota Quest, Pato Fu, Usina Le Bond, Cachorro Grande, Cabaret, Filhos de Judith, Rockz, Moptop, Netunos, Móveis Coloniais de Acaju, Lasciva Lula, Los Hermanos, Pitty, Ludov, Detonautas, Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii, Biquini Cavadão, Os Paralamas do Sucesso, Titãs, Ira!, Autoramas, Mombojó, Penélope, Cadabra, Tianastácia, CPM 22, Charlie Brown JR, Cansei de Ser Sexy, Tom Bloch, Los Piratas, Zeferina Bomba, Matanza, entre uma quase que infinidade de grupos.
A música de consumo:
Em qualquer país do mundo e em qualquer época da história de sua música popular, sempre houve e haverá a chamada música de consumo. Isto porque a indústria musical precisa de investimentos e retornos. Quer dizer, sempre existirá a dicotomia “Arte pela arte” e “Arte como produto”, o que não deixa de ter seus lados positivos.
Na década de 1970 existia o slogan “Disco é cultura”, delimitando principalmente a música feita por pessoas que acreditavam em seu trabalho e produziam música “séria” (um pouco vago, né?). Estes artistas vendiam pouco, mas eram tidos como investimentos futuros, pois a maioria deles consagravam-se para o grande público lá pelo quarto ou quinto disco. Para esses investimentos (em longo prazo) era preciso que outros investimentos (em curto prazo) fossem feitos. Aí é que entrava a música de consumo imediato. Parte do retorno desse tipo de música era investido no artista sério, que daria lucro em longo prazo, mais teria uma carreira consistente e venderia para o resto da vida, dando status à gravadora e conseqüentemente nunca sairia de catálogo.
Lá pelos anos 80 cunharam a frase “Disco, às vezes é cultura” e parece que caiu em boa hora, pois, os investimentos originários da música de consumo nunca, pelo menos nesta época, não foram mais direcionados para os verdadeiros artistas. Porém, a música de consumo não é de toda ruim, pelo menos em alguns aspectos. No Brasil nunca se arrecadou tanto em termos de direitos autorais por causa do axé-music, pagode e sertanejo, indos os méritos para este tipo de música. O autor nacional nunca foi tão privilegiado em toda a história da nossa música popular. Se como produto ela cumpre o papel econômico, na estética é considerado um desastre. O que chamam de pagode, passa muito longe do gênero “samba”. O que chamam de sertanejo está a kilômetros da música rural. O “forró universitário” distancia-se cada vez mais dos gêneros “baião e xótis” e o chamado axé music nunca teve nenhuma pitada de “agerê” ou “ijexá”, gêneros estritamente baianos.
Contudo, não há como negar que cumprem um determinado papel, geram empregos e criam modas e gírias com suas músicas efêmeras. Grupos de pagode, axé music e de forró, além de duplas sertanejas, surgem como água em cachoeira e com a mesma rapidez desaparecem sem deixar vestígios, assim como foi o boom da “lambada” na década de 1980. Porém, são responsáveis por emissoras segmentadas em todo o país (Rádio Tropical FM e 94 FM – só pagode, ambas no Rio de Janeiro), querendo ou não, movimentam milhões de reais com a venda de seus discos e são considerados “música popular brasileira”, pois atingem principalmente às camadas mais inferiores da sociedade, assim como as camadas mais bem abastadas da sociedade (com seu gosto duvidoso). Citar nomes seria empilhar volumes de listas telefônicas, enfim... enfadonho.
Os espaços alternativos:
Responsáveis por boa parcela da arrecadação do Estado e do Município, os espaços alternativos como Lonas Culturais, vêm desenvolvendo a função de renovação e apresentação de novos valores na MPB. Se teatros como Municipal (RJ) pouco contribuem para apresentações de projetos populares, podendo contar nos dedos suas iniciativas:
“Concerto Negro”, de Martinho da Vila e “Sinfonia da Cidade do Rio de Janeiro de São Sebastião”, de Francis Hime (com letras de Geraldo Carneiro e Paulo César Pinheiro), as lonas culturais da prefeitura cumprem esse papel abrindo espaço para os artistas da comunidade e apresentando novos valores e ainda por cima, foram responsáveis pela maior arrecadação e presença de público. Espaço da Cantareira (em Niterói), lonas nos subúrbios de Vista Alegre (João Bosco), Anchieta (Carlos Zéfiro), Campo Grande (Elza Osborne), Realengo (Gilberto Gil), Bangu (Hermeto Pascoal), Maré (Herbert Vianna), Guadalupe (Terra), Ilha do Governador (Renato Russo), Jacarepaguá (Jacob do Bandolim) e ainda Centro Cultural da Justiça, Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho (Castelinho do Flamengo), Centro Cultural José Bonifácio (Gamboa), Espaço Cultural Sérgio Porto, Teatro Ziembinski, foram alternativas viáveis para o processo de revitalização da MPB neste final de século.
Os bares como fomentadores de novos valores na MPB:
É tradição no Brasil o surgimento de novos valores na MPB através da “Escola da noite”. Só para citar alguns consagrados que vieram da “Noite” temos Dolores Duran, Marisa Gata Mansa, Leny Andrade, Emílio Santiago, Alcione, Adriana Calcanhoto, Ivete Sangalo etc...
Na década de 1990 surgiram Teresa Cristina (Bar Semente, RJ), Jorge Vercilo e Renato Vargas, este último, conseguiu a façanha de gravar um disco só com clássicos da MPB e vender quase um milhão de cópias de “O Som do Barzinho” pela Deckdisc.
Os projetos musicais:
as décadas de 1970/80 projeto como “Projeto Seis e Meia”, idealizado por Albino Pinheiro, em 1976 e ainda “Projeto Pixinguinha”, criado em 1977 por Hermínio Bello de Carvalho, levava aos palcos de todo o Brasil vários artistas novos apresentados e amparados por artistas consagrados. Outro projeto de suma importância foi o “Vitrine”. Dirigido por Maurício Tapajós em 1978 na Sala Funarte Sidney Miller, no Rio de Janeiro, foi o responsável pelo lançamento de discos de artistas que nele se apresentavam tais como Cláudia Versiani e ainda Grupo Cantares, integrado por Zé Renato, Juca Filho, Marcos Ariel e Antônio Sant'Anna.
Na última década do século XX vários outros projetos sustentaram a função de mantenedores desta renovação. Entre os mais importantes podemos citar os projetos “Arte Viva”, “Rio Sesc Instrumental” (idealizado por Marcos Souza) e apresentando as novas gerações do choro, do samba e da bossa nova, “Pixingão”, “Groove no Museu na República” (RJ), “Festival Humaitá Pra Peixe”, criado em 1994 pelo poeta e letrista Bruno Levinson, no Rio de Janeiro, o vento foi responsável pelo lançamento de várias bandas, tais como Planet Hemp, Coma, Orquestra Imperial, entre outras, e ainda de artistas nacionais, entre os quais Nina Becker, Roberta Sá e Thalma de Freitas, “Canecão BR”, “Projeto Prêt-à-porter/Coleção Outono Inverno da MPB” e “Projeto Novo Canto” (RJ e SP), os dois últimos com direção do poeta Sergio Natureza. O “Projeto Novo Canto” em sua primeira fase (1997) lançou e/ou reforçou a carreira de vários artistas: Lenine, Zeca Baleiro, Leila Maria, Chico César, Pedro Luis, Rita Ribeiro, Paulinho Moska, entre outros, apadrinhados em sua apresentação por ícones da MPB como Gal Costa, Caetano Veloso, Marina Lima, Luiz Melodia e Belchior, entre outros.
Em outras edições o projeto apresentou como padrinhos João Nogueira, Gérson King Combo, Jards Macalé, Jorge Mautner e Johnny Alf, entre outros. Porém, já na segunda fase do “Projeto Novo Canto” alguns dos artistas apresentados na primeira fase, já revestidos de ídolos, viriam a apadrinhar a apresentação dos novíssimos Vander Lee, Luciana Mello, Patrícia Mello (depois Patrícia Melody), Andréa Dutra, Luanda Cozetti, Guima Moreno, César Nascimento, Adil Tiscati, Elisa Queriós, Patrícia Ahmaral, Dudu Salinas, Belô Velloso, Zé Ricardo, Celso Fonseca, Pedro Mariano, Marcelo Vianna (neto de Pixinguinha), Eliana Printes, Fred Martins, Lui Coimbra, Augusto Martins, Lula Ribeiro, João Pinheiro, Marcos Lima, Nosly, Alexandre Nero, Kali C, Fênix, Suely Mesquita, Eletrofluminas, Bangalafumenga, Liquidificalouca, Totonho Villeroy, Marko Andrade e Lúcio Sherman, dentre tantos outros, nas seis edições do projeto no Rio de Janeiro, duas em São Paulo e uma em Salvador.
Em 2002, no Rio de Janeiro, outro projeto cumpriu o papel de lançar novos valores: o projeto “Bolsa Nova”, idealizado e produzido pela dupla Suely Mesquita e Mathilda Kovak, foi apresentado no SESC Copacabana em 2002, com shows de Patrícia Boechat, Andréa Dutra, Suzie Thompson, Cecilia Spyer, Paulo Baiano e Clara Sandroni, Lucia Turnbull, Mary Fê, Kali C, Bia Grabois, Glauco Lourenço, Luís Capucho, Marcos Sacramento, Natália Mello, Bete Albano, Luli e Ceumar.
Em Juiz de Fora o projeto “Nossa Música” aglutinou valores de várias tendências musicais, desde o pop/rock (Eminência Parda e Pantera Cor de Rosa) e blues e soul music (Jack Soul Blues, Jack Pedra, Silva Soul e Estação Blues), passando pelo baião e afins, mais conhecido como forró (Espirro de Bode, Cangaço Mineiro e Grupo Bagaceira), reggae (Rama Ruana e Banda Mahui), instrumental (Estevão Teixeira e trio, Dudu Lima e Paulo Motta), bossa nova (Quinteto Brasilis e Marcos Rosa), chegando ao samba e ao choro (Roger Resende, Grupo Declamar e Flavinho da Juventude).
Em Pernambuco o “Festival Abril Pro Rock”, responsável pelo lançamento e sedimentação da carreira de vários artistas e grupos de rock, tais como Los Hermanos, Mombojó, entre muitos outros.
Outro importante projeto, este de música instrumental, é o “Som da Mata”, da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte.
Isto é apenas uma pequena mostra de projetos por todo o país, que com certeza, privilegiaram o artista novo, como o “Projeto Pixinguinha”, revitalizado pelo presidente da Funarte, Antonio Grassi e Ana de Hollanda em 2005, possibilitando uma maior visibilidade do trabalho de artistas dos quatro cantos do país: Carlos Zens (Rio Grande do Norte), Alfredo Del-Penho (Rio de Janeiro), Alzira Espíndola (Mato Grosso), André Abujamra (São Paulo), Cecília Leite (Pará), Consuelo de Paula e Ceumar (Minas Gerais), Fred Martins (Niterói), Carlos Careqa (Paraná), Yamandú Costa (Rio Grande do Sul), Juraíldes Cruz (Goiás), Amadeu Cavalcante (Amapá), Chiko Queiroga e Antônio Rogério (Sergipe), Lia de Itamaracá (Pernambuco), enfim, artistas de todos os estados do país.
As coletâneas:
As coletâneas têm e sempre tiveram uma função muito especial no lançamento de novos valores. Dado ao grande custo em se gravar um disco muitos artistas optam por uma forma mais acessível e acabam desaguando na coletânea, que além do custo-benefício (tanto pra gravadora, quanto para o artista independente) acaba ficando mais em conta.
Partindo da premissa que o disco não se esgota com apenas a sua gravação e que o artista depende de uma divulgação e uma exposição de seu produto, a coletânea une esforços de vários artistas novos em um mesmo produto, se bem que para as grandes gravadoras funciona muito mais como um caça níquel (apenas mais um produto de divulgação) neste caso incluímos aí as coletâneas “Casa de Samba” (em sua 4º edição) produzida por Rildo Hora para Universal Music e a coletânea “Os Melhores do Ano”, da Indie Records, apenas citando duas das mais bem sucedidas, tanto artisticamente quanto em sua visão de mercado, tendo em vista que trazem geralmente artistas consagrados da atualidade ou mesmo alguns um pouco esquecidos no mercado fonográfico. Porém, existem outras coletâneas que suprem uma outra fatia do mercado, isto é, a renovação de valores. Muitos desses discos existem praticamente graças a esforços de Instituições, Empresas, Governos e graças ao sistema cooperativado de alguns grupos de artistas.
Cada uma traz um grande número de intérpretes e compositores e é claro que nem todos conseguem se fixar no mercado fonográfico e artístico nacional. Só pra citar algumas temos: Coletânea Projeto Zás (MG/1999), Bateia (da Arrecadadora AMAR), Do Brasil (MG/1999). Sertão (MG), Casa da Mãe Joana (RJ), Samba de raiz (RJ), Conexão Carioca 1, 2 e 3 (1999-2002/RJ), Quem São Os Novos da MPB? (Selo O Puro Som/RJ), Movimento MPB (SP), Piauienses do Barulho 1 e 2 (PI), Samba no Buraco do Galo (2000/RJ), Som das Lonas (2000/RJ), Projeto Vitrine Brasil Pau de Sebo 1 e 2 (1998/Espanha), As coletâneas do Festival de Avaré (FAMPOP) lançadas entre 1987 e 2005, com os vários participantes, depois reconhecidos em seus estados de origem e alguns, em todo o país e internacionalmente como Lenine e Chico César (para apenas citar dois), entre muitas e muitas outras coletâneas.
As novas mídias e as emissoras segmentadas:
Com a facilidade de produção do CD, dado à grande proliferação da informática e o baixo custo dos softwares e hardwares ligados à música (gravação, mixagem e masterização), um grande numero de artistas pôde gravar seu trabalho. Contudo, desde os selos e as pequenas gravadoras, passando pelo produtor independente, esbarraram no mesmo problema – a divulgação – Mesmo os esforços isolados de algumas distribuidoras como Kuarup, Eldorado Distribuidora, Sigla, Outros Brasis, Trama, Tratore, Tom Maior e Movieplay, entre outras, não conseguiram suprir a demanda da distribuição. Das várias alternativas criativas encontradas por artistas brasileiros neste final de século, uma surpreendeu a todos e virou mania nacional.
O cantor e compositor Lobão (retomou) a distribuição em bancas de jornal. Quando digo “retomou”, refiro-me à experiência passada nas quais os discos da série MPB (Abril Cultural) foram os primeiros a usar esse tipo de alternativa ainda no início da década de 1970, iniciada por Tarso de Castro, segundo Torquato Neto na coluna Geléia Geral, do jornal Última Hora (depois editado no livro “Os últimos Dias de Paupéria”). Na década de 1980 o músico Pierre Aderne (ex- banda Hábeas Corpus) retomou este caminho de vendas em bancas de jornais, chegando a vender mais de 20 milhões de discos por esse meio, através de seus selo Go Records, pelo qual lançou diversos CD's com os hinos dos principais clubes de futebol do país, encartados na Revista Placar. Logo depois, Pierre Aderne lançou “Cid Moreira lendo a Bíblia", que vendeu cerca de 18 milhões de discos.
Na década de 1990 Lobão também usou deste artifício e o fez com competência lançando a revista “Outra Coisa”, na qual sempre vinha encartado um disco de grupos novos ou artista novo como “Enxugando gelo”, de BNegão e os Seletores de Freqüência, além de lançar seus próprios discos. Outra forma de divulgação (primeiramente usada em São Paulo) e iniciada por grupos de Hip-hop como o Racionais MC’S, foi o próprio grupo prensar o disco e distribuí-lo tanto em shows quanto em pequenas lojas de secos e molhados por todos os subúrbios da capital paulista. Com isso, o grupo vendeu mais de cem mil cópias de seu primeiro CD independente, uma façanha que chamou a atenção não só de outros grupos (que passaram a seguir esse modelo), mas também das grandes gravadoras que passaram a assediá-los no intuito de levá-los para seu cast.
Outro fator importante para tal renovação na MPB vem acontecendo a partir de 1995 quando entraram no ar algumas emissoras segmentadas em música brasileira.
Ainda na década de 1980 tal experiência de rádio segmentada restringia-se à Nacional FM (RJ) e à Rádio Fluminense FM (Niterói), esta, apesar dos rocks internacionais, foi responsável pelo lançamento da chamada geração 80 do rock nacional.
Já na década de 1990 tal experiência foi retomada pela criação de pelo menos mais duas emissoras: MPB FM e Nova Brasil FM (ambas No RJ).
É claro que existem esforços anteriores e que ainda se encontram a todo o vapor, também lançando novos valores e “relembrando” os antigos, tais emissoras são Rádio MEC AM, Rádio Nacional AM e Costa Verde FM (ambas no RJ) e Rádio Cultura AM (SP) e Rádio Fluminense AM (Niterói), esta última, especializada em rock nacional (outra vertente da MPB que se renova constantemente.), além de um sem número de rádios comunitárias por todo o Brasil despejando artistas novos e consagrados em nossos ouvidos Isso só para citar algumas das mídias eletrônicas, restando ainda um grande número de apoiadores e incentivadores dessa renovação da MPB também na mídia impressa. Só para citar uns poucos (que a lista seria imensa) temos a Revista Música Brasileira, O Jornal das Gravadoras, a Revista Backstage, além dos jornais diários e seus críticos musicais. Como se vê, não só de grandes gravadoras como Sony Music, Universal Music, Som Livre etc, vive, sobrevive e renovasse a MPB.
Os discos independentes, as pequenas gravadoras e os selos:
Para iniciar este novo capítulo, transcrevo um trecho da entrevista dada por Paulo César Pinheiro à Luiza Nascimento, do jornal on-line A Nova Democracia, no ano de 2003.
Entrevista muito elucidativa com relação ao assunto a seguir.
AND - Está surgindo algo no Brasil que te atrai? Paulo César Pinheiro:
"Adianta citar? Você conhece Pedro Amorim? Roque Ferreira? Não adianta, o repórter não vai nem escrever isso, não interessa, não chama atenção de ninguém. Agora, essas pessoas não estão na 'mídia'. Por exemplo: Estruturou-se em três anos uma gravadora chamada Biscoito Fino que faz exatamente isso: grava pessoas que ninguém conhece ou que as grandes gravadoras já mandaram embora, que foram descartadas. Além dela, tem a Acari, a Kuarup, a Lua; são vários selos. Hoje existem mais selos independentes do que gravadoras. E 90% da música de qualidade são produzidas pelos selos independentes. Gravadora é para Zezé de Camargo e Luciano, ou seja, produto para vender e no ano seguinte ninguém sabe o que aconteceu; é descartável, não é história, não é arte. Não é música, é entretenimento. Arte é atemporal e entretenimento é temporal. Por isso, os que formaram a nossa identidade estão aí, até hoje” A renovação de uma manifestação artística em um país, seja ela nas artes plásticas, cinema, teatro, literatura ou música, ocorre quase sempre a passos muitos sutis e suaves, somente percebida anos depois quando já há uma certa distância do objeto de estudo. Com a volta do disco independente ainda no final da década de 1970, precisamente 1977 com o lançamento do disco “Feito em Casa”, de Antônio Adolfo houve uma retomada deste tipo de produção. Quando digo “retomada”, refiro-me que tal experiência já fora experimentada nas décadas de 1940 e 1950 com os chamados discos de “Edição do autor”, nos quais os mesmos (ainda em 78 rpm) eram produzidos com dinheiro próprio dos compositores. Exemplo disso foram as 35 cópias do disco com a valsa “Está chegando a hora”, interpretada por Carmen Costa.
Lançado em 1942, a própria cantora pagou as cópias dessa versão em português da música mexicana "Cielito lindo", feita pela dupla Henricão e Rubens Campos. Em pouco mais de um mês a cantora entrou definitivamente para a história do carnaval e da MPB.
Em 1972 foi lançada a série “Disco de Bolso”, encartada no jornal O Pasquim. O compacto simples trazia de um lado Tom Jobim interpretando “Águas de março” e do outro lado, o também estreante em disco, João Bosco interpretando “Agnus Sei”, primeira parceria com Aldir Blanc. O disco foi lançado pela Zem Produtora Cinematográfica e Edições Musicais Ltda, portanto, independente com relação às grandes gravadoras atuantes na época. Porém, o boom do disco independente começou ainda década de 1970 com os pioneiros Antonio Adolfo, Tharcisio Rocha, Chico Mário, este último um dos fundadores da APID (Associação dos Produtores Independentes de Discos) que em seis meses contava com 600 associados. Outra fomentadora deste tipo de produção foi a COOMUSA, cooperativa que lançou discos de Claudio Latini, Tharcisio Rocha, Maurício Tapajós e Márcio Proença, entre outros. Em 1979 esse movimento de disco independente teve seu auge, pelo menos em termos de vendagem.
O grupo Boca Livre (Claudio Nucci, Zé Renato, David Tygel e Maurício Maestro) obteve grande sucesso de vendas com seu primeiro LP. Na última década do século XX e nos dois primeiros anos do século XXI, a música brasileira passou por uma total renovação, dado a fatores diversos. O disco independente foi um dos principais destes fatores. Isto, em decorrência dos baixos custos de informática e socialização dos meios de produção do CD. Com isso, surgiram pequenos selos e pequenas gravadoras que aglutinaram boa parcela dessa produção independente. Com os custos de produção fonográfica relativamente baixos os selos se espalharam por todo Brasil e os discos foram surgindo.
No inicio da década de 1980 surgiu em Niterói o selo independente Gente Nossa, idealizado pelo letrista e produtor Bira de Oliveira. Por esse selo, cooperativado, foram lançados vários compactos simples e LPs, entre os quais os de Danilo Braga, Bira de Oliveira e Carlos Blanco.
Na década de 1990, também em Niterói, foi criado pela prefeitura da cidade, na gestão de Jorge Roberto Silveira, o selo Niterói Discos, pelo qual foram lançados cerca de 100 discos de artistas variados, entre eles os discos de Júlio São Paio, Zé Netto, Paulinho Guitarra, Glória Latini, Paulo Ciranda, Arthur Maia e Cássio Tucunduva. Entre as centenas e centenas de selos podemos citar alguns que congregaram artistas de determinadas tendências, partindo assim para uma pequena formação de pequenos movimentos (às vezes muito dispersos), contudo constituindo e demonstrando uma identidade musical comum a todos que deste ou aquele selo e/ou pequena gravadora, participam e integram seu cast: Gravadora Trama (Luciana Mello, Jair de Oliveira, João Marcelo Bôscoli, Pedro Mariano, Simoninha, Lula Queiroga etc); Gravadora Velas (Chico César, Lenine, Adil Tiscati, Batacotô), Gravadora Regata (Paula Lima, Funk Como Le Gusta etc), Guitarra Brasileira (Renato Piau, Elza Maria, Marko Andrade, Antônio Rogério & Chiko Queiroga, O Tom do Leblon, Conexão Carioca nº 1 e nº 2 e ainda Balaio Atemporal com artistas de vários estados do país, além de disco de Marco Campos –instrumental -, Cláudia Amorim, Aliança 21 - Mahal e Tigrão - e o CD Heloísa Helena Canta Luiz Melodia); ZFM Records (Grupo Nosso Canto); Dabliú Discos (Suzana Salles etc); Natasha Records (MV Bill, Virgínia Rodrigues, Afroreggae, Mart’nália entre outros); Nikita Music (Velha Guarda da Mangueira), Dubas, Acari Records (Luciana Rabello, Amélia Rabello, Álvaro Carrilho, Maurício Carrilho e coletâneas de choro), Biscoito Fino (Sinfonia do Rio de Janeiro, Joyce, Olívia Hime e coletâneas); Selo Quelé (parceria da Acari Records e Biscoito Fino em homenagem a Clementina de Jesus e que lançou discos de Paulo César Pinheiro, Roque Ferreira, Pedro Amorim, Maurício Carrilho e Amélia Rabello), Saci (Maurício Tapajós, Aldir Blanc, Nei Lopes, Amélia Rabello e Sérgio Santos, entre outros), Alma Produções (Aldir Blanc, Clarisse Grova, Walter Alfaiate etc); Kuarup (Vander Lee), Selo Rádio MEC (Wilson Moreira, Diana Pequeno, Paulo César Feital, Telma Tavares, Cláudio Jorge & Luiz Carlos da Vila, entre outros), Deck Disc, Monstro Disc (Grupo Pata de Elefante, do Rio Grande do Sul), T-Rec, Astronauta, Tamborete, Midsummer Madness, London Burning, Rob Digital, Fina Flor, Lua Discos, MCD, Azul Music, Albatroz, Candeeiro, Selo Peixe Vivo (Conexão Carioca nº 1 e Conexão Carioca nº 3), Sun Records, Carioca Disco (especializada em samba) que lançou a coletânea “Meninos do Rio”, aglutinando Jair do Cavaquinho, Elton Medeiros, Nei Lopes, Dona Ivone Lara, Baianinho, Niltinho Tristeza, Casquinha, Zé Luiz do Império, Nilton Campolino, Monarco, Luiz Grande, Dauro do Salgueiro, Nelson Sargento, Jurandir da Mangueira e Aluízio Machado, Selo Quitanda (de Maria Bethânia, lançando além dos discos da cantora o CD ‘Vozes da Purificação’, de D. Edith do Prato) e para finalizar, o Selo SescRio.Som com a Série “Poetas da Canção”, lançando discos dos letristas Sergio Natureza e Salgado Maranhão, ambos em 2005 e ainda o CD “Gozos da alma”, de Geraldo Carneiro, em 2006 e ainda diversos outros selos em vários estados da federação, provando sempre que nem só das majors Universal Music, EMI, Warner e Sony-BMG, vive e sobrevive a cultura musical brasileira. Como fechamento recorro a uma matéria publicada no jornal O Globo, Caderno B, em julho de 2007,
“Acordos devem facilitar os negócios da música – Editoras de música e selos independentes reforçam parceria de olho em novos tempos”, de autoria do poeta e crítico musical Antônio Carlos Miguel. Nela podemos perceber os novos tempos da música brasileira em relação à produção e à divulgação do produto. Mais uma vez as grandes gravadoras (com suas editoras) tentam se adequar à realidade, assim como aconteceu nos Estados Unidos décadas antes. Segundo Antônio Carlos Miguel: “... Apesar da crise do disco, hoje os produtores associados à Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), com 132 membros, já respondem por boa parte da música brasileira gravada. Enquanto isso, os 18 associados da até então poderosa Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD), incluindo as multinacionais EMI, Sony/BMG, Universal e Warner, teriam diminuído em 60% o seu investimento, trocando novos discos brasileiros por lançamentos internacionais ou reedição de seu acervo...” As editoras a que o jornalista se refere são as associadas à ABER (Associação Brasileira de Editores Reunidos) que detém 70% das editoras, entre as quais Sony, BMG, Universal e Warner Chappell. Faltou o presidente da ABMI, Carlos de Andrade, convidar também a ABEM (Associação Brasileira de Editores Musicais) e assim fechar melhor o cerco. De qualquer maneira, vários artistas têm procurado saídas diferentes para seus produtos, muitos deles fundando seu próprio selo, pelo qual grava e lança seus discos e usando as grandes gravadoras somente para distribuição.
Caso como o Lulu Santos no novo disco de 2007 “Longplay”, gravado de forma independente e distribuído pela gravadora Som Livre, ou ainda Maria Bethânia com seu selo Quitanda, atrelado à distribuição da gravadora Biscoito Fino. Djavan com seu selo e editora Luanda Records e Elba Ramalho com o selo Ramax, criado em 2001 e distribuido pela gravadora BMG, entre muitos outros artistas que criaram seu próprio selo e que usam o suporte administrativo das grandes gravadoras apenas para distribuição, assim como acontece em outros países.
Os grupos e as carreiras solo:
Dos vários grupos que ou se dissolveram ou que seus componentes desenvolvem carreiras-solo concomitamente, podemos destacar o grupo carioca Barão Vermelho, que com a saída de Cazuza para desenvolver carreira solo, foi colocado à frente de seu vocal o guitarrista e compositor Roberto Frejat, que também, no ano 2000 partiu para carreira solo, acontecendo assim a dissolução do grupo, que anos depois voltou à cena com a mesma formação.
Outro importante grupo, esse paulista, é o Titãs. Ainda na década de 1990 aconteceu a saída de Arnaldo Antunes. Porém o grupo continuou sua carreira sem grandes abalos sísmicos na performance e no repertório. No decorrer dos anos, cada um de seus componentes passou a desenvolver sua carreira solo concomitamente à carreira do grupo. Toni Belloto (escritor, diretor de cinema e apresentador de programa no Canal Futura), Branco Mello (autor de musicais para teatro), Nando Reis (produtor e disco solo), Paulo Miklos (ator de cinema), Sérgio Brito (disco solo) e Charles Gavin (Produtor de discos).
Outro grupo importante que retornou à cena artística foi o Capital Inicial, que de sua formação original só sustenta o vocalista Dinho Ouro Preto. O grupo retornou com grande sucesso no ano 2000, quando lançou o CD “Acústico MTV”. Outra carreira-solo desenvolvida foi a do vocalista Rás Bernardo logo após sua saída do grupo Cidade Negra em 1992.
A partir de 2004 outros grupos se dissolveram, tais como Los Hermanos e Kid Abelha, do qual Paula Toller lançou outros discos solos, assim como George Israel. Também por esta data o Barão voltou a se dissolver e o baixista Rodrigo Santos, assim como Frejat passaram a desenvolver suas carreiras-solo.
Os filhos de peixe: A renovação da MPB está presente, também, nos novos valores, esses, atrelados aos seus pais e antepassados (ícones da música brasileira). Necessariamente não quer dizer que os mesmos sejam tão relevantes quanto seus antepassados ou mesmo que estão contribuindo para alguma mudança estética na MPB, até porque, ser de família de artista famoso e seguir a mesma carreira, necessariamente não implica em sucesso garantido e muito menos talento nato, contudo, citaremos alguns e sua estreita relação com a música neste final de século XX e início do século XXI: Alex Ribeiro (filho de Roberto Ribeiro), Aline Barros (filha de Ronaldo Barros), Amanda Bravo (filha de Durval Ferreira), Amora Pêra (filha de Sandra Pêra e Gonzaguinha), Ana Martins e Clara Moreno (filhas de Joyce e Nélson Ângelo), Ana Rabello e Julião Pinheiro (filhos de Luciana Rabello e Paulo César Pinheiro), Analimar, Maíra Freitas, Mart’nália e Tunico Ferreira (filhos de Martinho da Vila), André Gomes (filho de Jorginho Gomes), André Lara (neto de Dona Ivone Lara), Anélis Assumpção (filha de Itamar Assumpção), Angelo Macários (filho de Renato Piau), Ataulpho Alves Júnior (filho de Ataulfo Alves), Áurea Martins (filha de Manacéia), Bebel Gilberto (filha de João Gilberto e Miúcha), Bena Lobo (filho de Edu Lobo e Wanda Sá), Betão Aguiar e Gil Oliveira (filhos de Paulinho Boca de Cantor), Bianca Gismonti (filha de Egberto Gismonti), Bruno Rian (filho de Déo Rian), Bruno Ribeiro (sobrinho de Roberto Ribeiro), Carlos de Souza (filho de Liette de Souza), Carol Monteiro (filha de Wanderley Monteiro e Iracema Monteiro), Carol Saboya (filha de Antonio Adolfo), Cassiana (Filha de Jovelina Pérola Negra), Cid Campos (filho de Augusto de Campos), Cláudia Nunes (filha de Walter Alfaiate), Claudio Latini (sobrinho de Murillo Latini, Maestro Hélio Latini e Wanda Latini.), Cláudio Lins (filho de Ivan Lins e Lucinha Lins), Cristiano e Mariana Sandroni (filhos de Fernando Sandroni), Daniel Gonzaga (neto de Luiz Gonzaga e filho de Gonzaguinha), Davi Moraes (filho de Moraes Moreira), Débora Cruz (filha de Acyr Marques e sobrinha de Arlindo Cruz), Didu Nogueira (filho de Gisa Nogueira), Diogo Nogueira (filho de João Nogueira), Diogo Pereira (neto de Noca da Portela), DJ Will (filho de KL Jay), Donatinho (filho de João Donato), Dora Vergueiro (filha de Carlinhos Vergueiro), Ed Motta (filho de Luzia Motta e sobrinho de Tim Maia), Edu Krieger (filho de Edino Krieger), Eliane Faria e João Rabello (filhos de Paulinho da Viola), Euclides Marques (filho de Luizinho Sete Cordas), Felipe Dylon (filho de Maria Lúcia Priolli), Fernanda Cunha (filha de Telma Costa e sobrinha de Sueli e Liseux Costa), Max, Flávia Virgínia e João Viana (filhos de Djavan), Flávio Prazeres (filho de Heitorzinho dos Prazeres e neto de Heitor dos Prazeres), Francisco Bosco (filho de João Bosco), Gabriel de Aquino (filho de João de Aquino), Gabriel Guedes (filho de Beto Guedes e neto de Godofredo Guedes), Gabriel Improta (filho de Tomás Improta), Gabriel Sater (filho de Almir Sater), Georgemery Dafé (filho de Carlos Dafé), Gil Baterista (filho de Erasmo Carlos), Ircéia (irmã de Zeca Pagodinho), Ivânia Catarina (irmã de Vander Lee), Jay Vaquer (filho de Jane Duboc), João Cavalcanti (filho de Lenine), João Marcelo Bôscoli (filho de Ronaldo Bôscoli e Elis Regina), João Sampaio (filho de Sérgio Sampaio), Juarez de Brito (filho de Guilherme de Brito), Juliana Diniz (filha de Mauro Diniz e neta de Monarco), Júnior Parente (neto de Nilo Chagas), Jurema (irmã de Alcione), Kay Lyra (filha de Carlos Lyra e Kate Lyra), Léo Maia (filho de Tim Maia), Lucas Santtana (filho de Roberto Sant' Anna), Luciana Mello e Jair Oliveira (filhos de Jair Rodrigues), Luciana Souza (filha de Walter Santos e Thereza Souza), Marçalzinho (filho de Mestre Marçal e neto de Armando Marçal), Marcel e Philippe Powell (filhos de Baden Powell), Marcelo Mariano (filho de César Camargo Mariano e Marisa Gata Mansa), Marcelo Tapajós (filho de Paulinho Tapajós e Heloísa Tapajós), Marcelo Vianna (neto de Pixinguinha), Marco Souza (filho de Chico Mário), Mariá (filha de Xangai), Maria Rita e Pedro Mariano (filhos de Elis Regina e César Camargo Mariano), Mariana Belém (filha de Fafá de Belém), Mariana Blanc (filha de Aldir Blanc), Mariana de Moraes (neta de Vinicius de Moraes), Marianna Leporace (irmã de Fernando e Gracinha Leporace), Mahal (filho de Luiz Melodia e Jane Reis), Maurício Carrilho (filho de Álvaro Carrilho), Mauro Diniz e Marcos Diniz (filhos de Monarco), Max de Castro e Wilson Simoninha (filhos de Wilson Simonal), Misael da Hora e Patrícia Hora (filhos de Rildo Hora), Moreno Veloso (filho de Caetano Veloso), Nana Shara, Pedro Baby e Zabelê (filhos de Pepeu Gomes e Baby Consuelo), Nara Gil e Preta Gil (filhas de Gilberto Gil), Nega Gizza (irmã de MV Bill), Nei T. Lopes (filo de Nei Lopes e Helena Theodoro), Neoci Dias (filho de João da Baiana), Noquinha (filho de Noca da Portela), Parteum (irmão de Rappin’Hood), Nô Stopa (filha de Zé Geraldo), Paulo César Brasil (irmão de Carlos Dafé), Pedro Landim (filho de Cacaso), Raoni Ventapane (filho de Analimar, neto de Martinho da Vila), Reizilan (filho de Creusa e neto de Cartola), Renato Milagres (sobrinho de Zeca Pagodinho), Robertinha de Recife (filha de Robertinho de Recife), Robertinho de Paula (filho de Irio de Paula), Rogério de Souza (filho de Raul de Souza), Ronaldo Mattos (filho de Nélson Sargento), Serginho Procópio (filho de Osmar do Cavaco), Solange Borges (irmã de Lô, Márcio e Telo Borges), Sophia Reis (filha de Nando Reis), Stephan (filho de Marcelo D2), Thalma de Freitas (filha de Laércio de Freitas), Tânia Malheiros (filha de Múcio de Sá Malheiros), Teca Godim (filha de Paulo Godim), Thálamy (filho de Bezerra da Silva), Tiago Mocotó (irmão de Gabriel, O Pensador), Tita Lima (filha de Liminha), Vítor Bertrami (filho de José Roberto Bertrami), Wesley (neto de Dominguinhos), William Magalhães (filho de Oberdan Magalhães), Yamandú Costa (filho de Algacir), Zé Inácio (filho de Zé Catimba), entre muitos outros que vão seguindo na profissão de seus pais e parentes próximos.
A volta dos que não foram:
É comum, em qualquer lugar do mundo alguns cantores, grupos e compositores se retirarem da vida artística, ou mesmo, no caso dos grupos, a dissolução dos mesmos, por diversos motivos (que não cabem neste momento). Alguns sobrevivem (às vezes aos trancos e barrancos) por longos anos, como é o caso dos Rolling Stones e MPB-4.
Na verdade quando eles se dissolvem e voltam tempos mais tarde, quase sempre e na maioria das vezes retornam reciclados tanto na formação, quanto no repertório e assim acrescem à MPB mais uma página de mudanças e renovação. Entre tantos e tantos podemos citar Os Cariocas, RPM, Magazine, As Frenéticas, Banda Black Rio (reativada por William Magalhães), Lady Zu, Cláudio Zoli e Cidade Negra, este teve ainda nos primeiros anos de carreira a saída do vocalista Rãs Bernardo, logo substituído por Toni Garrido, fazendo com que o grupo, principalmente com os discos “Enquanto o mundo gira...” (2000) e “Acústico MTV”, no ano de 2002, fosse integrado à lista dos maiores vendedores de discos no Brasil.
Em 2004 o Barão Vermelho retornou às atividades com o lançamento do CD "Acústico MTV" em show no Canecão, no Rio de Janeiro. No ano de 2005, já com uma nova formação integrada por Arnaldo Brandão, Pedro Lima, Renato Ladeira e Gustavo Schroeter retornou aos palcos o grupo A Bolha. Na volta dos Mutantes em 2006 foi incorporada a cantora e compositora Zélia Duncan ao lado de antigos integrantes como Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e Dinho Leme. Estes são alguns dos mais expressivos que retornaram à cena musical com uma nova roupagem.
Os novos da MPB:
Em um país tradicionalmente repleto de bons compositores (melodistas e letristas), a nova geração de intérpretes também não fica nada a dever.
Vale lembrar que para cada um desses nomes citados há vários discos gravados e quase sempre uma repercussão do trabalho que, se às vezes não chega a uma repercussão nacional, pelo menos a nível regional é respeitadíssima:
delzon Vianna (CE), Affonsinho (MG), Alfredo Del-Penho (RJ), Amaranto (MG), Ana Caña (SP), Ana Carolina (MG), Ana Costa (RJ), Ana Krüger, Ana Salvagni (SP), Andréa Pinheiro (PA), Aníbal Beça (AM), Anjos da Lua (RJ), Anna Pessoa (SP), Arnaldo Garcez (AM), Banda Zé Maria (ES), Bárbara Mendes (RJ), Batuque na Cozinha (RJ), Berimbrown (MG), Bete Calligaris (RJ), Beth Bruno (RJ), Beto Gaspari (RJ), Bira da Vila (RJ), Bruna Caran, Caixa Preta (RJ), Calé Alencar (CE), Carine Mascarenhas (RJ), Carlin de Almeida (MG), Casuarina (RJ), Célio Cruz (AM), Celso Viáfora (SP), César Nascimento (PI), Ceumar (MG), Chicas (RJ), Chico César (PB), Chico Pinheiro (SP), Choro Brasil (PE), Cidinha (RJ), Cileno (AM), Claudia Amorim, Claudio Latini (RJ), Consuelo de Paula (MG), Cris Dellano (RJ), Cristina Latini (RJ), Daniela Lassalva (SP), Daniela Procópio (SP), Daúde (BA), Denise Kremmer (MS), Di Mostacatto, Dil Fonseca (RJ), Du Balck (ES), Dudu Salinas (RJ), Eduardo Rangel, Eliana Printes (AM), Fabiana Cozza (SP), Fábio Alves (RJ), Fernanda Morais (RJ), Flávia Bittencourt (MA), Folia de 3 (Eliane Tassis, Cacala Carvalho e Marianna Leporace - RJ), Fred Martins (RJ), Gabrielzinho de Irajá (RJ), Galocantô (RJ), Giana Viscardi (SP), Grupo Elemento (RJ), Grupo Manimal (ES), Grupo Nosso Canto (RJ), Haoa (RJ), Heitor Neguinho (RJ), Ilton Manhãs (RJ), Irê (SC), Jackson Diego (RJ), Jairo Bráulio (RJ), Jaziel (RJ), Joça (RJ), Jú Cassou (RJ), Jussara Freire (Duque de Caxias/RJ), Jussara Silveira (MG), Karine Alexandrino, Karine Cunha (RS), Karla Boechat, Kátia Rocha (ES), Katya Chamma (DF), Kléber Albuquerque (SP), Leila Maria (RJ), Lenine (PE), Luanda Cozetti (DF), Lucas Santtana (BA), Luciana Alves (SP), Luciana Souza (SP), Lúcio Sherman (RJ), Luiza Dionízio (RJ), Luíza Maita, Marcelo Negrett (RJ), Marcelo Tauan (RJ), Margareth Menezes (BA), Mariana Aydar (SP), Mariana Baltar (RJ), Marianna Leporace (RJ), Marko Andrade (RJ), Maurício Tizumba (MG), Miriam Maria (SP), Mônica Feijó (PE), Mônica Salmaso (SP), Nair Cândia (SP), Namay (RJ), Nilze Carvalho (RJ), Nina Becker (RJ), O Roda (RJ), Paula Lima (SP), Paula Morelenbaum (RJ), Paula Santoro (MG), Pedro Paulo Malta (RJ), Péri (BA), Pindorama (RJ), Reizilan (RJ), Renatinho Partideiro (RJ), Renato Braz (SP), Roberta Sá (RN), Robson Gabiru (RJ), Rômulo Fróes (SP), Rose Maia (RJ), Rubens Cardoso (BA), Samba com Atitude (RJ), Sérgio Santos (MG), Sergival (SE), Simone Caymmi (RJ), Simone Guimarães (SP), Simone Lial (RJ), Sururu na Roda (RJ), Suzana Salles (SP), Tânia Bicalho (RJ), Tânia Malheiros (RJ), Tatiana Parra, Teresa Cristina (RJ), Thaís Gulin (PR), Thaís Motta (RJ), Thalma de Freitas (RJ), Toni e Dinha (RJ), Valéria Sattamini (RJ), Vanessa Bumagny (SP), Vanessa da Matta (MT), Vika Barcellos (RJ), Virgínia Rosa (SP), Wanderley Monteiro (RJ), Xis (SP), Yamandú Costa (RS), Zana Rubim (RJ), Zé Ricardo (RJ), Zeca Baleiro (MA) e Zeca Barros (RJ), além dos novos artistas citados no “Os filhos de peixe”, assim como vários grupos já mencionados anteriormente, os jovens talentos que aparecem semanalmente no programa “Raul Gil” e tantos outros não listados por falta de espaço e de conhecimento de seus trabalhos.
