- Talvez a culpa seja minha ao analisar a coisa assim. Não sei se estou preparado para compreender a hipocrisia vigente. E olha que ela vige desde que Cabral pos seus pés em terras brasileiras, mas sei lá, nunca me acostumei.
Só para citar governos existentes desde o momento em que minha pobre memória quarentona foi capaz de registrar, vivemos a ditadura, os governos Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique Horroroso e agora Lula. De todos, o único não “Doutor†é Lula. Rigorosamente todos os nossos governantes anteriores esquentaram com suas poderosas nádegas bancos acadêmicos e não apenas aqui, mas principalmente no exterior. Alguns, inclusive, certamente trouxeram das Havards da vida o costume arrogante de olhar o povo por cima e considerar ridÃcula, absurda ou “populista†qualquer formulação que não esteja plenamente dirigida a interesses estrangeiros ou de seus asseclas tupiniquins. E todos também, sem exceção, usaram a máquina pública como um mero depositário de fortunas a serem repassadas para as elites, seja por via direta ou indireta.
Como o hábito do cachimbo faz a boca torta, esse comportamento elitista e preconceituoso baseado na formulação de conceitos sempre lastreados por uma doutrina ou pensamento concebido e gerado em terras estrangeiras espalhou-se para todas as tendências ideológicas.
A mÃdia de um modo geral tem um papel fundamental na irradiação desta lógica. Desde o berço somos acostumados a idolatrar as coisas de fora, principalmente dos EUA, e vamos absorvendo como se fosse nossa a cultura deles. As distorções se agigantam de tal forma que chegamos a comemorar um tal “Dia das bruxas†que não tem sequer significado para nenhum de nós, e, como conseqüência, vamos deixando de lado a nossa própria forma de pensar; vamos cortando aos poucos nosso cordão umbilical. E não há nessa afirmação nenhum arremedo de xenofobia, mas uma simples constatação.
Desacostumamo-nos, na verdade, a pensar com a nossa própria cabeça. Se “O globo†diz que o papa é ladrão, pedras ao papa. Se o “SBT†diz que tal novela é boa, odes a novela... E por aà vai... Todos os dias imensas cortinas de fumaça são colocadas diante de nossos olhos e as aceitamos sem pestanejar. Em suma: vivemos o mito da caverna, de Platão. Acreditamos em sombras, em miragens e nem sequer questionamos isso. Tornamos-nos, de um modo geral, meros reprodutores da versão oficial estabelecida pelos órgãos de comunicação sem perceber que se trata na verdade de um cÃrculo vicioso.
Tudo isso gera em nós uma espécie de fúria iconoclasta restritiva, pois ao mesmo tempo em que somos encorajados a destruir nossa própria imagem no espelho, vamos também absorvendo outras que não são nossas e nem se assemelham a nós. E pior, vamos adotando como referência os donos dessas imagens, permitindo que eles se tornem tutores da nossa cidadania. Acabamos, enfim, aceitando como correta a opinião de um jornalista que, ganhando 1 milhão de dólares por mês, assume uma posição ardorosamente contrária ao aumento de alguns reais no salário mÃnimo por conta de um pseudo risco ao equilÃbrio da previdência. Não nos ocorre em nenhum momento que tudo não passa de uma grande falácia (não confundir com ofalácia.net, o site). Não se pode investir o dinheiro público em melhorias para o povo senão vai faltar para os empreendimentos privados. Se o governo gastar dinheiro em escola, aumento de salário, saúde, educação, CULTURA e etc. não vai ter como retirar bilhões do BNDES para financiar empresas de comunicação. É simples assim.
Chega a ser hilário, na verdade. Aqueles que assaltam os cofres públicos com a conivência de governantes e que enriquecem a sombra do erário são, desafortunadamente, também aqueles que nos incutem a máxima de que o poder que advém do voto é podre, corrupto e danoso... Transformam tudo em algo tenebroso diante dos nossos olhos para que tenhamos aversão ao poder e nunca queiramos exercê-lo.
É como se um seleto grupo de apreciadores de chope, por exemplo, estabelecesse uma terrÃvel campanha contra a bebida, ressaltando todos os seus malefÃcios e inventando um amontoado de outros tantos, como estratégia para inviabilizar a concorrência.
Na verdade, onde há poder, infelizmente, há corrupção. E a única forma de reduzi-la é aumentar ao máximo o número de pessoas que o exercem este poder, ou seja, trazer o poder de verdade para as mãos do povo, e isso se faz de várias formas, mas a base de tudo, ao contrário do que dizem, é a CULTURA.
Um cidadão culto não se permite ser usado como massa de manobra nem fica vomitando conceitos designados pelas elites. Um cidadão culto não renega sua história, sua vida e sua arte para adotar a de outros. Um cidadão culto sabe que o mundo não é perfeito e não advoga sua perfeição, mas sim sua evolução. E acima de tudo sabe que só o andamento natural do processo social é capaz de consertar os erros e purgar os defeitos.
Lugar de corrupto é na cadeia, é verdade, mas só ao povo cabe, não apenas esta retórica, mas também a estipulação dessa sentença.

Polão
Interessante esse texto... cheio de verdades.... mas o que o autor propõe?....digo.. qual seria a proposta do autor?... falar sobre os problemas que claramente existem.. é muito fácil... agora... que tal uma proposta concreta?... Eu diria que cada povo tem o governo que merece.... e ele com nós... tem o mesmo governo.... Por pior que possa parecer... tudo faz parte da evolução... não teremos um governo melhor "nunca", por melhor que ele seja, jamais poderá governar sem outros partidos... E isso que coloca uma restrição a qualquer coisa que qualquer governo tenha que fazer.... Sem contar com a justiça que está sempre "cumprindo a lei"... e soltando os colarinhos branco....
Pois é.... tudo muito lindo e maravilhoso... mas esse paÃs só mudará com o tempo.. .muito tempo... o tempo em que escolhermos melhor os parlamentares.... os senadores..... e o presidente (esse pra mim é muito melhor que todos que já estiveram no poder)... mas, infelizmente, na dependencia de outros partidos, se não... não governa. Realidade.
Abraços
Vicente, Moises viveu aqui na Terra durante 120 anos,
nos seus 40 primeiros anos ele cumpriu uma etapa da sua missão. A segunda etapa no exilio até os 80 anos.
E a derradeira, ele concluiu até os 120 anos.
O unico pais que tem em sua Bandeira os dizeres: ORDEM E PROGRESSO - É O NOSSO.
NÃO SEI QUANTOS ANOS TENDES, MAS AGUARDE E ESPERE.
SE ESSAS COISAS CITADAS POR VOCÊ NO TEMA ESCRITO,ACONTECEM
É PORQUE EXISTE UMA NECESSIDADE.
OBSERVE OS SINAIS, E COMEÇE A LER ALGUMA COISA
DE HUMBERTO ROHDEN, INDICO TAMBÉM O JOSE LAERCIO DO EGITO
UM ABRAÇO DO IRMAO E FRATER
LUZ PAZ E AMOR