Conhece aquele ditado do cada um com o seu cada qual? Pois é, somos cheios de manias e de hábitos esquisitos. Nem a gente para entender a gente mesmo.
Esquisitíssima, por exemplo, é essa mania (ou fixação, sabe-se lá) que tenho com fotos de identidade dos outros. Interessante é que você pode ser amigo, conhecer uma pessoa por muitos e muitos anos e nunca ter tido acesso ao documento de identidade dela. Fotos de identidade são tratadas, às vezes, como segredos de estado. Muitas (muitas mesmo) pessoas têm vergonha de sua carteira de identidade por causa daquela foto em que você está parecendo um E.T. com aquele cabelo molhado e cheio de caracóis lotados de creme rinse (para os mais jovens: antigamente era creme rinse mesmo, uma gosma amarela fedida para cacete. Condicionador era coisa de cabeleireiro, se é que me entendem. Tinha também o creme para pentear Bozzano que exalava a mesma “fragrância” do creme de barbear, coisa de macho, pô! Desodorante? Avanço! Perfumes? Almíscar da Coty, Rastro e Gellatti para as namoradas! Presente para a mamãe? Seiva de Alfazema ou Alma das Flores. Loção pós-barba? Leite de Rosas. Sabonete cheirosão? Phebo. Pasta de dentes? Kolinos. Chulé? Minâncora. Hálito decadente? Anapion) ou quando somos flagrados com aquele olhar lânguido quase idiota ou ainda com o fatal sorrisinho que, de tão ridículo, até você mesmo acha que não é quem está ali estampado e se pergunta: como eu posso ter existido assim? Como? Por tudo isso é que às vezes é mais fácil arrancar um dinheirinho emprestado do que a carteira de identidade de algumas pessoas.
Outra fixação que tenho é uma certa e irresistível tentação pelas listas. O melhor ator do mundo, a melhor atriz do mundo, as três mulheres mais bonitas do Brasil, os três melhores filmes que você já viu e etc e tal. Sei que é coisa de americano (nada contra os americanos, mas sei lá, entende, era bacana na minha época achar que o americano era um poveco rico e mal e imperialista e diabólico e, e e e), mas é mais forte do que meus preconceitos estabelecidos. Para aproveitar o assunto e desentalar: a partir duma lista minha dos melhores atores brasileiros vivos (naquele sentimento do cada um no seu cada qual), invariavelmente o nome de Tony Ramos está presente, seja numa lista de dez ou numa de três. Tony tem provado que a TV pode formar ou desenvolver excelentes profissionais, fato que também ajuda a relativizar aquele papo intelectualóide (e por isso mesmo desprezível) de que apenas atores ligados intimamente ao teatro são bons de fato e de direito; são esses mesmos comunistóides os que acham que se a direita toma o poder à força e mata inimigos políticos é porque é uma corja, uma cambada de assassinos inescrupulosos, carrascos, ditadores e torturadores desumanos; mas se a esquerda fizer o mesmo, aí, é pela causa, entende?
Mas mania esquisita mesmo que eu tenho é a deixar o volume da TV, do rádio ou o do CD somente em números pares.
De ímpar já basta a vida.
