Vivendo e Escrevendo | 30 de agosto de 2016 - 19:29

Magé, linda Magé!

“Magé, linda Magé”. Esses versos retirados do hino municipal fazem justiça a essa cidade, ainda pouco conhecida pelos amantes da natureza e da história do Brasil colonial. Fundada em 1565, mesma data da cidade do Rio de Janeiro, foi importantíssima no desenvolvimento econômico e social do Estado. Por ela, passaram centenas, talvez milhares, de tropeiros, que no lombo de suas bestas transportaram riquezas de Minas Gerais à capital do Rio de Janeiro, através do famoso Caminho do Proença. Dessa época, restam ainda muitas ruínas de construções diversas e igrejas centenárias do estilo colonial com seus frontões triangulares e suas fachadas em branco e azul. Estas estão espalhadas por praticamente todos os seis distritos da cidade. A maioria ainda tem missas regularmente e festividades feitas pelas comunidades religiosas locais que encantam com seu ar bucólico tanto visitantes quanto moradores.


Ainda dentro da categoria história e cultura, Magé se orgulha de ser o berço da ferrovia nacional. Fundada em 1854 por Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, no distrito de Guia de Pacobaiba, mais conhecido por Praia de Mauá, desempenhou importante papel no desenvolvimento industrial do país. Por ela, passou o imperador Pedro II e toda sua comitiva que seguiam em viagem até Raíz da Serra, 6º distrito, para de lá, subir a Serra Antiga de Petrópolis pelo Caminho do Proença, que ainda hoje preserva seu calçamento original na maioria de sua estrada.


Fatos e personalidades históricas se confundem com a própria história do município, dentre as quais se destacam a do paiol que serviu o Brasil na Guerra do Paraguai, os “Horrores de Magé”, massacre provocado ao povo mageense sobre as ordens do Marechal Floriano Peixoto; o desenvolvimento têxtil das fábricas de Santo Aleixo e Magé; suas lideranças e resistências comunistas; a abertura de estradas para o interior do país; o Porto Estrela que serviu de escoamento das riquezas pelo mar; as lutas e vidas da ex-escrava Maria Conga; Duque de Caxias; Garrincha; padre José de Anchieta; e o já citado Barão de Mauá. Contudo, antes mesmo da colonização, Magé teve por habitantes os indígenas da etnia timbira, deixando poucos vestígios materiais, mais diversas lendas e nomes para a região como: Suruí, Magepe Mirim, Pacobaíba, Inhomirim e a romântica lenda da índia Mirindiba.


Sem dúvida, a história da cidade é linda, mas o que nos encanta e fascina de verdade é sua exuberante beleza natural. Tendo a Baía de Guanabara ao sul e a Serra dos Órgãos ao norte, é recheada de cachoeiras lindíssimas e trilhas incríveis que servem tanto aos praticantes da caminhada, quanto aos amantes de rally, montain bike e cicloturismo. Das cachoeiras, destacam-se a do Monjolos, em Santo Aleixo, e a do Véu das Noivas, no distrito agrícola de Conceição, ambas de águas límpidas, claras e muito geladas. Já ao sul, encontram-se as belezas dos manguezais de Suruí, Barão do Iriri, Praia de Mauá e da Praia da Piedade, ótimas para a prática da pescaria de anzol (pois rede é proibida em algumas áreas, como no Remanso) e a prática de esportes aquáticos com caiaques. São várias ilhas e acidentes geográficos que valem a pena explorar.


Como sugestão, quando estiver na cidade não deixe de saborear um delicioso peixe nos diversos restaurantes da Praia do Anil, com sua vista incrível. Aproveite o fim da tarde para caminhar pela orla de Mauá e se tiver disposição suba até um dos mirantes da cidade e aprecie seu belíssimo fim de tarde. No verão, banhem-se em suas diversas cachoeiras e rios. E em datas de festividades no município, divirta-se nas diversas barraquinhas das comunidades. Dentre as festas regionais, vale destacar a tradicional barqueada em homenagem a São Pedro em Mauá, com seus simpáticos barcos coloridos e embandeirados.


Vale ressaltar ainda para os amantes do cicloturismo, assim como eu, que existem caminhos incríveis pouquíssimos explorados e seguros, alguns até quase que secretos, que deslumbram pela história, beleza e prazer de ser. São mais ou menos 120km de estradas cortando seus distritos com rotas fantásticas.


Todo esse fascínio que tenho pela cidade surgiu na infância, quando em idade escolar, e agora como professor municipal, ouço em seu hino “seus filhos abençoados pelo Senhor tecem os mais lindos cantos de amor a Magé e ao Brasil”. De fato nossa terra é linda, cheia de “heróis e tradições”, e vale muito a pena conhecê-la. Fica o convite!


 


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Sobre o autor

Meu nome é Filipe Lázaro Alvernaz, tenho 34 anos, sou professor de artes em Magé e Teresópolis, tendo passado ainda pela educação estadual. Estou desenvolvendo meu lado artístico com pinturas que remetem ao meu fascínio pela vida, as cores e a natureza. Sou casado com uma linda mulher e pai da sapeca Geovana. Adoro pedalar, ouvir música oitentista, visitar ambientes naturais, ler sobre política, filosofia, arte e pintar.

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