Olho vivo, faro fino | 26 de maio de 2018 - 17:36

Leão do Norte em dose dupla

Reppolho (Percussionista, compositor e pesquisador). Em carreira solo lançou cinco discos autorais. Como pesquisador nos brindou, em 2011, com o volume “Dicionário Ilustrado de Ritmos & Instrumentos de Percussão", obra de conteúdo louvado por Ricardo Cravo Albin e Fred Góes, dois dos nossos balizadores na área da pesquisa musical. Instrumentista de peso trabalhou com os principais artistas nacionais, tais como Milton Nascimento, Elza Soares, Tim Maia, Johnny Alf, Moraes Moreira, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Nana Caymmi e Luiz Melodia.
Ednaldo Lima (Violonista e compositor). Nos anos 90 lançou um compacto duplo pela gravadora Rosemblit e ainda os CDs “Arrasten” e “Cabeça de Gala”, ambos independentes.
E o que une esses dois? Com certeza, os Maracatus de Baque Virado, os Caboclinhos, os Terreiros de Xangô (candomblé pernambucano de ascendência comum, jeje-nagô, aos da Bahia e do Rio de Janeiro) e as Troças da infância, no bairro de Água Fria, em uma Recife setentista, onde ambos começaram a carreira nos bares e festivais, sedimentando uma amizade e admiração mútuas pelo trabalho um do outro. O que os une, também, é a pluralismo sonoro, a diversidade harmônica e a mescla de gêneros, comuns em artistas inquietos e insatisfeitos com o mercado mainstream musical brasileiro, integrantes de uma cena artística da região que abriga as bandas Eddie, Nação Zumbi e Cumadre Fulorzinha, além de craques como Lenine e Orquestra Spock, herdeiros da poesia de Carlos Penna Filho e Seu Boi Sarapião.
Com essa verve é que se uniram e lançaram em dupla, em 2018, o EP “Juntos” (Selo GJS), com tendências pop de revisitação do tradicional, em uma antropofagia musical, de canibais experientes no assunto, experimentada em discos-solos anteriores.
No CD constam “Eternamente Clara”, samba-canção em homenagem à Clara Nunes, pontuado pelo cavaquinho de Valmir Ribeiro; “Na Sombra do Baobá”, um ijexá estilizado de Ednaldo Lima em tributo ao parceiro; o samba-coco “Pra Naná”, da dupla, em reverência a Naná Vasconcelos, outra referência na trajetória deles, interpretado por Reppolho, com um “Canto de Lavadeiras” das cantoras pernambucanas Carolina Valverde e Maria Tereza; “África Brasil”; “Batá-cotô” e “Amante de bicicleta”, de Ednaldo Lima, transformada em clipe, com os parceiros pedalando pelas ruas do Centro do Rio de Janeiro.
O time de músicos bem que poderia defender a Copa na Rússia, só tem craques da pelota musical: Carlito Gepe, Emerson Mateus e Felipe Escovedo (baixos), Roberto Stepheson (sax tenor e pífanos), Márcio Souza e Naná Amâncio (guitarras), Leo Rugero (violino e viola), Vander (trumpete), Tuninho Villas (teclados e drum machine), Adriana Passos e Morma Renia completando o backing-vocal nas outras faixas, além de Reppolho e Ednaldo Lima em seus respectivos instrumentos e na confecção dos arranjos.
Enfim, a cultura pernambucana, legada pela diáspora africana e com raízes ameríndias, nos presenteia com este belo trabalho, corroborando que o “Leão” é do Norte-Nordeste, mas tem rugido universal.
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Sobre o autor

Euclides Amaral é poeta, letrista, produtor e pesquisador de MPB. Carioca, formado em Comunicação Social, publicou os livros de poesias Sapo c/ Arroz (1979/2ª ed. 1984), Fragmentos de Carambola (1981), Balaio de Serpentes (Poemas & Letras-1984), O Cão Depenado (1985), Sobras Futuristas (1986) e Cynema Bárbaro (1989). Lançou Emboscadas & Labirintos (contos/Editora Aldeia, 1995), Alguns Aspectos da MPB (ensaios/2008/2ª ed. Esteio Editora, 2010 - 3ª ed. EAS Editora, 2014), “O Guitarrista Victor Biglione & a MPB” (perfil artístico/Edições Baleia Azul, 2009/2ª ed. Esteio Editora, 2011 - 3ª ed. EAS Editora, 2014) e “Desafio das Horas” (poesias e letras), incluído no volume “Poesia Resumida - Antologia Poética 1978/2012” (Edições Casa 10 Comunicação), com 2ª edição em 2014, pela EAS Editora. Entre 1999 e 2018 atuou como pesquisador musical da Biblioteca Nacional, FAPERJ, PUC-Rio, FINEP, CNPq e Instituto Cultural Cravo Albin produzindo verbetes para o site dicionariompb.com.br, também utilizados no Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira (Editora Paracatu, 2006). Colaborou em jornais e revistas com textos sobre a MPB. Publicou poemas em fanzines e antologias por várias editoras. A partir de 1978 produziu cerca de 30 discos para selos, gravadoras e artistas independentes. Tem registradas em CDs mais de 60 composições, entre gravações e regravações, em parcerias com Aljor, Big Otaviano, Bóris Garay, Cacaso, Carlos Dafé, César Nascimento, Claudio Latini, Cristina Latini, Eliane Faria, Elza Maria, Helô Helena, Ivan Wrigg, Jaime Pontes, Jênesis Genúncio, Jô Reis, Joel Nascimento, Lúcio Sherman, Marcelo Peregrino, Maria Tereza, Marko Andrade, Milton Sívans, Moisés Costa, Olten Jorge, Paolo Vinaccia, Paulo Renato, Reizilan Cartola Neto, Renato Piau, Reppolho, Rubens Cardoso, Sérgio Gramático Júnior, Sidney Mattos, Silvana Elizabeth e Xico Chaves. Entre seus intérpretes constam, além de muitos de seus parceiros citados, André Henriques, Anna Pessoa, Banda Du Black, Bernardo Diniz, Ceiça, Denise Krammer, Edir Silva, Flávio Leandro, Grupo Mamulengo, Jaidete Varjão, Jane Reis, Jorge de Souza, Luiz Melodia, Luiza Dionizio, Mário Bróder, Martha Loureiro, Namay Mendes, Paulinho Miranda, Pecê Ribeiro, Solange Pereira e Victor Biglione. Gravou poemas em seis CD de parceiros e em seu disco solo “Quintal Brasil - poemas, letras & convidados”, (Selo Ipê Mundi Records/Noruega, 2012), no qual interpretou oito poemas e teve a participação de parceiros e intérpretes nas 17 composições registradas. Em 2018 finalizou o segundo CD-solo: “Perfil – letras, poemas, parcerias & intérpretes”, gravando dois poemas e contando com a participação de parceiros e intérpretes nas 19 faixas. Saiba mais em dicionariompb.com.br O LIVRO ALGUNS ASPECTOS DA MPB pode ser baixado de graça clicando aqui.

O LIVRO "O Guitarrista Victor Biglione" também pode ser baixado de graça clicando aqui.

O verbete do guitarrista Victor Biglione pode ser baixado clicando aqui.

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