A Arte da Desmistura | 24 de agosto de 2015 - 08:50

Estamos Parados no Vácuo

     Estou cansado!


     Pego o jornal e a sua Manchete, mais uma vez é “Governo Vai Aumentar Impostos para o Ano que Vem”.


     Já não estamos mais enxugando gelo. Estamos construindo uma Geleira.


     É impossível que a única solução para todos os males seja o aumento de Impostos.


     O povo, as empresas, todos os setores da sociedade estão no limite de suas possibilidades. A recessão é bárbara e sem previsão de recuperação.


     Não é compreensível que nenhuma atitude de prevenção seja tomada para que essa crise minore, no mínimo, a médio prazo. Do jeito que vai só se aumenta a perspectiva de insucesso a longo prazo.


     Qual a atitude do governo para melhorar a Educação? Cortar seu orçamento, ao que parece, em 9 bilhões.


     A crise moral é a discussão cotidiana e se perpetua com cada um jogando a banana pra cima do outro.


    É claro que todos são culpados! Mas o povo não!


    Desculpem. O povo também porque, mesmo sem a mínima condição de entendimento ou forma de participação, permanece dócil e conformado.


    Não sou contra a paciência, mas sou extremamente contra a acomodação.


    Acabou-se a confiança em todos os níveis.


    Alguma coisa precisa ser feita para que todos nós possamos dar um pouco de nós mesmos para sair desse buraco. Que não seja nosso sangue ou nossos poucos e dilapidados tostões, conquistados com muito trabalho e sacrifício.


    Mas sangrar mais nossos parcos recursos é até covardia!


     Os Bancos, que tiveram lucro de uns 6 bilhões, não poderiam dar uma ajudinha? Eu sei que não é a sua atividade fim e sei também que eles são uma grande fonte de empregos, mas são parte dessa grande balança onde a melhor parte lhes cai no colo... Quem sabe?


    Será que não existe nenhum dirigente com um pouco de luz para propor uma ação conjunta de restauração desse caos?


    Dirão que eu sou um sonhador.


    Sou, é claro!


    Por que sei que cada um está preocupado apenas com o seu rabinho, muito ameaçado de ser agarrado ou cortado pela limpeza que se aproxima e tem que ser afastada. Para os metralhas envolvidos, também é claro.


    Senhores.


    Enquanto ficarmos apenas discutindo quem vai ser punido pela dilapidação do país e quem não vai o país vai ficar parado.


    Separem uma meia dúzia de pessoas competentes para criar um plano de contingência de salvamento do povo e da saúde e dignidade do povo brasileiro. E lhes deem voz e mando.


    Mas, por favor, que não façam mais nenhuma campanha assistencialista de bolsa-família, almoço para filhos de políticos desamparados, amparo ao preso infelicitado pela sociedade, nem Criança Esperança, onde alguém se beneficia muito com o atendimento de apenas alguns.     


    Já que não podemos jogar um pesticida para acabar com todos os políticos ou com todo o povo brasileiro, para reiniciarmos nossa raça, numa nova forma de edição da Arca de Noé, deixando apenas dois exemplares dessa raça humana que se autodestrói, deem-nos, ao menos, a possibilidade de viver humildemente, mas sem essa aura de desespero, incapacidade de viver com dignidade e desesperança, sem fim.


     É impossível que nem Noé resolva o caos desse país que zomba da miséria e do direito à felicidade, por mínima que seja.


 


 


            


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Sobre o autor

Ivan Wrigg Moraes é poeta, psicólogo, compositor, analista de sistemas, professor e articulista. Publicou cinco livros de poesia e uma antologia poética, dois de literatura infantil, uma prosa filosófica e quatro livros sobre história do teatro, além de ter gravado dois CDs solo (Lenha na Fogueira e Se Rolar, Rolou). Recebeu prêmio da UBE para o livro 3 x 4, de poesias.

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