A Arte da Desmistura | 16 de outubro de 2015 - 21:44

A natureza de cada um

     Conta uma parábola de autor desconhecido, aqui transcrita com o intuito de trazer à luz mais uma  limitação humana, em seu vínculo com a natureza, que um mestre caminhava pela beira de um rio, na maneira mais simples de lhes passar conhecimentos, como fazia Aristóteles, isto é, caminhando.


     Ao atravessar uma ponte de madeira sobre um rio que corria volumoso, viu um escorpião, levado, sem resistência, pela correnteza.


     O bom homem, um monge, imediatamente se projetou nas águas para salvar o pequeno animal que já não tinha mais forças para lutar contra a corrente. Pegou-o com uma das mãos, evitando que ele fosse arrastado pelas águas.


     Ao se aproximarem da margem, o escorpião se recobrou do afogamento e, em seguida, picou o seu salvador.


     O velho, no susto da dor, deixou cair o pequeno animal que voltou ás águas, no seu lado menos violento.


     O monge então se esforçou para pegar um galho de arbusto que serviu para puxar o escorpião para a margem e salvá-lo do seu fim, deixando-o se recobrar, agora nas margens do rio, sobre a areia.


     Ao voltar para o lado dos seus discípulos, que comentavam o ocorrido, um deles, falando em nome de todos, questionou se ele estava doente ou estava sofrendo de algum tipo de desequilíbrio. Não entendiam porque ele arriscara sua vida para salvar aquele animal ruim, peçonhento e insensível que não faria falta à humanidade, se prosseguisse seu destino e fosse tragado pelo rio. Que ele não merecia sua dedicação, apontando como prova o fato dele tê-lo picado, como paga por ter sido salvo do afogamento.


     O mestre, com toda paciência, respondeu aos amigos, sem alterar sua voz:


     - Eu fiz o que devia ser feito.


     E os estudantes retrucaram que não entendiam porque o animal pagou o bem com o mal.


     E o monge completou, sem um pingo de arrependimento:


     - Não, meus queridos amigos. É mais simples que isso.


     E acrescentou:


     - Eu agi de acordo com a minha natureza; ele, com a dele.


    


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Sobre o autor

Ivan Wrigg Moraes é poeta, psicólogo, compositor, analista de sistemas, professor e articulista. Publicou cinco livros de poesia e uma antologia poética, dois de literatura infantil, uma prosa filosófica e quatro livros sobre história do teatro, além de ter gravado dois CDs solo (Lenha na Fogueira e Se Rolar, Rolou). Recebeu prêmio da UBE para o livro 3 x 4, de poesias.

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