Olho vivo, faro fino | 05 de maio de 2015 - 15:31

A importância da leitura

Toda leitura envolve pelo menos dois tipos de indivíduos: o EMISSOR e o RECEPTOR.


São dois os aspectos necessários para a leitura: O “Suporte e/ou meio”, através do qual a mensagem se apresenta ao receptor e “As Noções Fundamentais”, que orientam tanto o emissor quanto o receptor à apreensão do conteúdo.


O primeiro aspecto que temos de considerar é o “Suporte”, isto é, como ela se apresenta ao receptor. Os dois tipos de suportes mais usados, hoje, são o “Impresso” e o “Eletrônico”. Digo hoje, porque no início da civilização os suportes para leitura eram outros. Na antiga Suméria, cerca de seis mil anos A.C, a gravação do primeiro alfabeto foi em tijolos de barros. Mais tarde, os hieróglifos, tipo de escrita pictórica de antigas civilizações, tais como os egípcios (3.000 mil AC), os hititas e os maias, eram expostos nas paredes dos templos e pirâmides. No século VII, a China, Japão e Coreia já imprimiam livros feitos de tacos de madeira ou de pedra entalhada. No ano de 770 D.C a imperatriz japonesa Shotoku mandou editar um milhão de orações em comemoração ao final de uma guerra civil naquele país. O chinês Pi Sheng inventou o tipo móvel, em madeira, no final do século X. Na Coreia já se usava a técnica de carimbar em papel em 1234 e no ano de 1377 foi a primeira a usar tipos móveis em metal (bronze e cobre) para editar o livro “Tripitaka”, uma coletânea de ensinamentos de Buda. No Ocidente, a invenção dos tipos móveis em chumbo foi creditada ao alemão Gutenberg, que imprimiu o primeiro livro em 1439.


Na atualidade os meios impressos são basicamente:


O jornal, com sua tendência “informativa”, de cunho diário, rápido, sazonal;


A revista e sua forma recreativa e um pouco mais profunda com relação à informação;


O outdoor e sua linguagem publicitária, exposto nas ruas e sua mensagem rápida de alguns segundo, geralmente uma linha, uma frase de efeito, sempre no imperativo: compre, beba, escute, conheça;


O indoor nos ônibus, metrôs, trens e que também envolve a seleção associativa de ideias, como, por exemplo, colocar uma criança perto do xampu que se quer vender, passando a ideia de que não fere os olhos; ou uma flor próximo ao jato de um inseticida, mostrando que mata somente os insetos, desta forma, a “associação de ideia” está simbioticamente ligada à leitura;


Os panfletos descartáveis como suporte de ponta de uma campanha publicitária, entreguem nos sinais e com mensagens rápidas de exposição de um produto (imóvel, serviço, um candidato a cargo público etc) e o livro, no qual há o aprofundamento de uma ideia, de um conceito, de uma visão e que defende um tese (para estudo), um ponto de vista, que aprofunda as informações ou simplesmente, como objeto de uma forma de lazer.


Estes são os meios impressos mais usados hoje em dia.


Ainda sobre os suportes para leitura temos uma segunda classe, aqui apresentada como os meios eletrônicos, bem mais conhecidos e usados pelas gerações dos séculos XX e XXI.


A televisão com os filmes não dublados, seus comerciais apelativos que usam tanto a imagem como a palavra oral e escrita, de leitura também rápida e com uma linguagem clipeniana (flashes, montagens e superposição de imagens etc). A TV não é só imagem e som, há também a leitura dinâmica, nos obrigando a estar atento a este terceiro código, mesmo que, às vezes, a gente nem se dê conta disso;


Os sites de relacionamentos e os portais na internet como Google, Yahoo e Wikipédia;


As mídia físicas de transporte de dados (áudio, texto e imagem) tais como CD, DVD, SMD, blu-ray, celulares, ipad (tablet da Apple) ou tablet que dão acesso aos e-books e livros digitais.


O segundo aspecto são as suas “Noções fundamentais”, que se subdividem nas relações operantes entre o leitor e o texto; a exigência de experiências anteriores com relação ao conteúdo; o envolvimento no reconhecimento e na compreensão das palavras apresentadas, assim como as suas associações significativas, possibilitando assim a apreensão e avaliação do que se tenha lido.


Além do que foi exposto, a maior importância da leitura está ligada a fatores como a consciência do lugar que se ocupa perante o outro, devido à chance de tiradas de conclusão através da identificação de novos problemas; o aperfeiçoamento do vocabulário; a autoestima; o desenvolvimento pessoal e o aperfeiçoamento da cidadania, pois somos seres sociais e além da “fala”, criamos um dos maiores avanços nesta questão, que é a escrita.


Na verdade, tanto faz ser na antiga Suméria ou em alguma nação contemporânea, a leitura mantém a sua finalidade primordial, que é unir as pessoas.


E para finalizar reproduzo um provérbio coreano:


“Um dia sem ler é como um dia sem água: a garganta seca, os pensamentos também”.


 


BIBLIOGRAFIA CRÍTICA:


GOMIDE, Magdalena Del Valle. Aprendendo a estudar. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico S/A, 1985.


MAN, John. A revolução de Gutenberg: a história de um gênio e da invenção que mudaram o mundo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.



  • Seus dados

  • Nome completo *
    Digite seu nome completo
  • E-mail *
    Digite seu nome completo

  • Dados dos seus amigos

  • Limite de 10 e-mails por envio.
  • Nomes *
    Caso queira enviar para vários amigos, basta separar os nomes com vírgulas.
    Exemplo: George Gonçalo, Ana Leticia, Mauro Gomes
  • E-mails *
    Digite os e-mails dos seus amigos. Siga a mesma ordem dos nomes.
    Exemplo: george@email.com, ana@email.com, mauro@email.com
  • Mensagem *
    Essa mensagem será enviada para seus amigos, junto com a indicação

Sobre o autor

Euclides Amaral é poeta, letrista, produtor e pesquisador de MPB. Carioca, formado em Comunicação Social, publicou os livros de poesias Sapo c/ Arroz (1979/2ª ed. 1984), Fragmentos de Carambola (1981), Balaio de Serpentes (Poemas & Letras-1984), O Cão Depenado (1985), Sobras Futuristas (1986) e Cynema Bárbaro (1989). Lançou Emboscadas & Labirintos (contos/Editora Aldeia, 1995), Alguns Aspectos da MPB (ensaios/2008/2ª ed. Esteio Editora, 2010 - 3ª ed. EAS Editora, 2014), “O Guitarrista Victor Biglione & a MPB” (perfil artístico/Edições Baleia Azul, 2009/2ª ed. Esteio Editora, 2011 - 3ª ed. EAS Editora, 2014), “Desafio das Horas” (poesias e letras), em 2013, pela Casa 10 Comunicação, e “Poesia Resumida - Antologia Poética 1978/2012”, também em 2013 pela mesma editora e com 2ª edição em 2014, pela EAS Editora. Entre 1999 e 2017 atuou como pesquisador musical da Biblioteca Nacional, FAPERJ, PUC-Rio, FINEP, CNPq e Instituto Cultural Cravo Albin produzindo verbetes para o site dicionariompb.com.br, também utilizados no Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira (Editora Paracatu, 2006). Colaborou em jornais e revistas com textos sobre a MPB. Publicou poemas em fanzines e antologias por várias editoras. A partir de 1978 produziu cerca de 30 discos para selos, gravadoras e artistas independentes. Tem registradas em CDs mais de 60 composições, entre gravações e regravações, em parcerias com Aljor, Big Otaviano, Bóris Garay, Cacaso, Carlos Dafé, César Nascimento, Claudio Latini, Cristina Latini, Eliane Faria, Elza Maria, Helô Helena, Ivan Wrigg, Jaime Pontes, Jênesis Genúncio, Jô Reis, Joel Nascimento, Lúcio Sherman, Marcelo Peregrino, Maria Tereza, Marko Andrade, Milton Sívans, Moisés Costa, Olten Jorge, Paolo Vinaccia, Paulo Renato, Reizilan Cartola Neto, Renato Piau, Reppolho, Rubens Cardoso, Sérgio Gramático Júnior, Sidney Mattos, Silvana Elizabeth e Xico Chaves. Entre seus intérpretes constam, além de muitos de seus parceiros citados, André Henriques, Anna Pessoa, Banda Du Black, Bernardo Diniz, Ceiça, Denise Krammer, Edir Silva, Grupo Mamulengo, Jane Reis, Jorge de Souza, Luiz Melodia, Luiza Dionizio, Mário Bróder, Martha Loureiro, Namay Mendes, Paulinho Miranda, Pecê Ribeiro, Solange Pereira e Victor Biglione. Gravou poemas em seis CD de parceiros e em seu disco solo “Quintal Brasil - poemas, letras & convidados”, (Selo Ipê Mundi Records/Noruega, 2012), com a participação de parceiros e intérpretes. Em 2017 finalizou o CD “Plural – letras, poemas, parcerias & intérpretes”, com a participação de parceiros e intérpretes. Mais em dicionariompb.com.br O LIVRO ALGUNS ASPECTOS DA MPB pode ser baixado de graça clicando aqui.

O LIVRO "O Guitarrista Victor Biglione" também pode ser baixado de graça clicando aqui.

O verbete do guitarrista Victor Biglione pode ser baixado clicando aqui.

Nenhum comentário

Seja o primeiro