Baixada Prosa & Verso | 15 de dezembro de 2013 - 23:39

A Festa Multicor da Cultura em Tinguá

Os artistas da Baixada Fluminense parece que resolveram tomar em suas mãos a possibilidade de tocar grandes projetos que possam dar conta da diversidade cultural da região. A Semana das Artes em Tinguá –SAT, além do sucesso das apresentações, oficinas debates e exposições, demonstrou mais uma vez a força da movimentação artístico-cultural da cidade e da região. Para ficar apenas com a programação do fim de semana – feriado de 15 de novembro, sábado e domingo – o encontro reuniu quase 200 artistas, produtores e militantes culturais.


O público pôde degustar e adquirir livros de poesia, fotografia, coletâneas de contos e romances na Tenda dos Autores da Baixada. Já na Tenda do Centro Cultural Donana, telas de diversos pintores chamavam a atenção de todos. No palco principal as atrações se sucederam de sexta pela manhã até o meio da tarde de domingo, quando uma chuva com fortes ventos obrigou a desocupação da praça. Mas como artista não desiste nunca, o pessoal partiu para o samba no Bar do Gaucho. O encerramento aconteceu na casa da Gisela Barros, com um sarau que teve a presença especial do poeta e performer Macedo Griot e dos músicos Marko Andrade e Jorge Dangó.


A Semana foi uma realização do Grupo Agito Cultural e contou com o apoio da Prefeitura de Nova Iguaçu (através das secretarias de Ação Cultural e de Educação e da FENIG) e do SESI Cultural, dentre outros. Evidentemente é impossível citar aqui os cerca de 200 artistas e produtores que participaram, mas vale lembrar alguns nomes, colocando-os como representantes do conjunto e antecipadamente pedir desculpas aos que não forem aqui citados. O primeiro que vem à mente é o Marcelo Peregrino (responsável pela produção de arte da Semana, também participou da elaboração e coordenação do Projeto), o Perê é um agitador sempre presente nos palcos, na técnica, no apoio e nas discussões sobre arte pela cidade. Também Marlos Degani, poeta meu parceiro no Poema de Mesa, que ralou como locutor ou apresentador, juntamente com o jornalista Rogério Costa. Claudina Oliveira, Moduan Matus e Sil, fizeram acontecer a tenda dos autores da Baixada. Não dá pra não falar do Anderson Lima, responsável pela produção executiva, que acreditou no seu sonho. Ele e a Gisela Barros – coordenadora geral da SAT - foram os idealizadores e realizadores do projeto.


No campo das apresentações musicais a sexta-feira teve um desfile de talentos. Fernanda Moraes, a voz, com ótimo acompanhamento de Beto Rocha. Roberto Lara com seu show autoral. Daniel Guerra no Pimenta do Reino, tocando um forró que levantou o público. E mais Banda Aurora e Pirão. No sábado, a coisa esquentou mais ainda numa diversidade de ritmos. Tivemos o chorinho da Roda de Pavões, o reggae de Dida Nascimento e o hip hop de Dudu de Morro Agudo e Slow Dabf.


A poesia se fez presente com um sarau de peso no sábado à noite. Gente de vários coletivos: Pó de Poesia, Desmaio Públiko, Poetas Compulsivos, Poetas e Afins, Sarau V e Palavra Viva, do qual este articulista faz parte. Aproveitei a minha fala para fazer uma merecida homenagem à poeta e articuladora do Pó de Poesia, Ivone Landim. Heraldo HB, poeta, cineclubista, multitalento também esteve lá.


Nas diferentes linguagens artísticas as mulheres tiveram destaque, mas nas apresentações de dança, elas foram soberanas. Cristine Hamuche, Maiara Landim e Patrícia Gianut, cada uma a seu tempo e com seu estilo, hipnotizaram a platéia e foram brindadas com calorosos aplausos. Já na performance quem mandou muito bem foi Ronaldo Calazans, o nosso Preguinho. Outro ponto alto foi a demonstração de malabares do Arcanjo. Sem falar do provocativo mendigo de Ramid Beneret e da engraçadíssima apresentação da atriz Josi Louzada. As artes plásticas estiveram presentes nos trabalhos da Elenira, do Arteiro e do Diamante, expostos na Tenda do Centro Cultural Donana e na criação interativa do Manhãs de Outono, com orientação de Domi Júnior. Em diferentes momentos rolou contação de histórias; Marcelo Peregrino, onipresente, e Mariana Mendonça encantaram e fizeram sonhar adultos e crianças.


No campo da reflexão cultural, ponto para Stela Guedes que falou sobre a presença das crianças nas casas de santo e o preconceito que muitas vezes elas sofrem na escola. Não posso deixar de citar a roda de conversa, coordenada por Cecília Santana, com primorosa cenografia de Robson Luy, na qual eu tive o prazer de compartilhar memórias da arte e da política de Nova Iguaçu e da Baixada com a psicanalista e poeta Maria Luísa.


Nos espaços cobertos no entorno da Praça de Tinguá também rolou muita coisa boa, como o cineclube Buraco do Getúlio e a oficina teatral do Marcos Serra e seu grupo da UNIRIO. Na programação infantil Domi Júnior, Casa do Menor, ballet do Espaço Maanaim com Maryisland e Ana Lira. Ainda teve Yoga, Cabala e caminhada ecológica, atividades articuladas por Cláudio Melo e Fernando Leitão.


Detalhe: ninguém foi remunerado neste megaprojeto. E ainda houve um pessoal que ralou à vera, fazendo comida na casa base, dirigindo carros pra lá e pra cá, filmando, fotografando, distribuindo lanches e ajudando aqui e ali.  Parabéns a todas e todos, que estiveram na produção, carregando o piano: Meire, Hugo, Kátia Vidal, Vicentinho, Laisa, Sheila Suzane, os estudantes de produção da IFRJ, Diego, Jussara, Aline Corssais, André Alasf, Henrique Souza, Camila Sena, Andressa Menezes, Stéphanie, Luisa. A cobertura fotográfica oficial foi feita por Getúlio Ribeiro e  Ricardo da Costa Marques.


Para não dizer que não falei dos espinhos, vamos às críticas. Em primeiro lugar, nosso velho dilema da divulgação. A SAT teve folder, cartaz e matéria em jornal, sem contar a presença na internet, ainda assim não alcançou uma abrangência massiva. É hora de um debate mais profundo sobre o que funciona como mídia de fato para este tipo de atividade. Considerando o local em que foi realizada, faltou um pouco de logística, principalmente na questão transporte. Dava para observar uma certa concentração de artistas de Nova Iguaçu, normal até pela localização e proximidade, de Belford Roxo, Mesquita e alguns de Duque de Caxias. Mas seria desejável uma presença maior da produção artística de toda a região. E, por último mas não menos importante, para uma próxima há que se remunerar os trabalhadores da cultura. Nada disso tira o brilho do projeto, porém são lições para melhorar o que já foi bom.


Afinal a Semana das Artes em Tinguá foi um acontecimento cultural agradável e marcante, que na verdade começou no dia 10 com o cortejo de maracatu do Baque da Mata, continuou com oficinas para crianças das escolas locais e culminou com as apresentações do fim de semana de 15 a 17 de novembro. Segundo o Secretário de Ação Cultural de Nova Iguaçu, Wagner D'Almeida, a SAT já entrou para o calendário da cidade. Para encerrar este comentário, um alô especial para o amigo poeta e designer Cézar Ray, que lá do Recife criou e postou inspiradas chamadas na internet e torceu muito para  que tudo desse certo. E deu. Então que venha a edição 2014, com muito pique e cultura na veia. Parceiros e patrocinadores, vamos investir nessa ideia, porque já é uma realidade.


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Sobre o autor

Jorge Cardozo é Poeta e Gestor de Projetos Culturais e um dos protagonistas da movimentação cultural na Baixada Fluminense. Enquanto prepara seu novo livro de poemas, Ave da Periferia, Cardozo participa de saraus e discute a produção artístico cultural da região. O poeta chegou para falar.

Acompanhe os comentários...

Total: 1 comentários


  • 14 de fevereiro de 2014 - 12:04
    Euclides Amaral diz:
    muito bom esse texto, já separei pra futuras pesquisas. valeu poeta!!! amaral