Poesia alternativa e independente
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Produção

Baixada Fácil
Esteio Editora

 

Preciso adelgaçar cometas.
Preciso nivelar-me ao celeste azul.
Preciso ler Manuel Bandeira.
Preciso ouvir As Rosas Não Falam, Free Jazz e Blues!

Preciso garimpar as incertezas da certeza.
Preciso tomar um porre de Rum.
Preciso pôr as cartas sobre a mesa.
Preciso flertar com O Bando de Teatro Olodum!

Preciso sentir a textura da tez da minha Preta.
Preciso prementemente ir á rua desnudo do habitual calandu.
Preciso assistir --- de novo --- á película O Baixio das Bestas.
Preciso pagar --- com os juros da cara --- a conta de luz!

Preciso dormir por 8 horas.
Preciso comprar os acústicos de Jorge Benjor, Seu Jorge e Paulinho da Viola.
Preciso gostar de comer chuchu e saber que não sou cult.
Preciso criar coragem para suportar o peso da minha Cruz!

Preciso encarar a barrela.
Preciso fazer 1 bilhão de aquarelas.
Preciso descobrir minhas raízes no Benin ou na Nigéria.
Preciso demonstrar mais amor pela Terra.

O tigre, a tigrina!
Pierrot traindo a Colombina.
Mulheres e homens de fibra.
O Imperialismo que trafega
Pelos bares, casas, ermidas, periferias,
Retinas, alamedas e rodovias da rotina!

Solfejar o samba da fúnebre notícia.
Ser o córrego protagonista das idiossincrasias.
Passar ao largo do mar das mamatas
E
Picardias Políticas!

Afogar-se no benigno afago ferino das famílias.
Mergulhar nos matizados oceanos da Quântica Física.
Compor infinitos enredos para a regência de todos os dias.
Ler --- nem que seja uma vez na vida ---
Sentimento do Mundo, O Capital, Hamlet, Oliver Twist e Rei Lear!

Andar á pé pelas vias obliquas.
Serenar a maré quando os percalços da oprimida sina se desafia.
Açaimar o espírito assobiando silenciosas cantigas.
Pensar o mundo como a perfeita fórmula contínua

Escuto o silêncio
Dizer á madrugada
Que se prolongue nos invernos:

Ah,
Enquanto esta ordem-conselho
Se processa na mente do tempo,

Cavalga por todo o meu cérebro
O viscoso e insólito pensamento
De que seja o basáltico céu empalidecido
A perfeita comunhão entre a elação da beleza
E os sortilégios dum mar capcioso e sombrio.

Escuto o silêncio
Dizer á madrugada
Que se prolongue nos invernos:

Esta miscível atmosfera eclética
De anestesia, Prosa, Poesia,
Onirismo, miasmas, niilismo, corvo, frescura,
Espreita, peçonha, perfídia e coruja

Casamata um reino de desovas, volúpias,
Espermas, esperas, espirais de psicodelia,
Enseada para fugas ou a Política daninha,
Teatro, Baco, vinhas, sangue a cada esquina;
Heróis, concertos de Rock e Operas que reverenciam
A Jazzística Cinética Ventania!

Escuto o silêncio
Dizer á madrugada
Que se prolongue nos invernos:

Tenho andado desestimulado
Sem muita perspectiva de mim mesmo
Não é por falta de capacidade ou acomodação
Tenho me relegado à felicidade alheia...
Passo os dias contando as horas
Esperando a vida terminar
Tudo o que faço, ou fiz até agora
Talvez não tenha do que me orgulhar
Posso ser (talvez) o orgulho de meu pai, ou mãe
Mas o que me falta, somente eu posso me dar
Mas ando desencorajado, inerte
Perdendo sem ter motivos pra procurar
Quem sabe um desabafo
Escrito em linhas que ninguém lerá
E posso dizer, com segurança
Que é melhor deixar pra lá...

Teu corpo é como um porto
Onde ancoro o meu desejo
Em que as pedras são teus seios
E as ondas são teus beijos

O teu corpo é como estrada
Sinuosa em teus quadris
Muito estreita na cintura
E em teus cabelos, muito escura

Teu corpo é como espelho
Onde vejo o meu olhar
Em um lugar onde és a terra
E eu sou o vento
O sol e o mar

parece folha
mas é uma pessoa
debaixo d´árvore
arfante boneca
.
distraindo aliban
não é uma pessoa
silêncio da porta
que o ar não vê
.
na entrada da loja
parece consolo
até que as mãos mexem
no aqué amarelo
.
e olhos voltam
várias vezes
do seu ponto de compreensão
à dor da capa
.
.
Edson Pielechovski

Talvez, se eu não fosse eu
Talvez, se eu não acreditasse
Talvez, se não houvesse inverdades
Talvez...

Se a hora fosse agora e eu pudesse acreditar
E te seguir com segurança por onde quer que você vá
E olhar fundo nos teus olhos
E segurar na tua mão
E viajar pelo teu corpo
Indo além do teu desejo
Varando além do coração

Talvez, se não tivesses mentido
Talvez, se não houvesse omissão
Será que sou eu quem não diz a verdade?
Talvez sim, talvez não...
.
.
.
(Teobaldo Villela é o pseudônimo de Marcio Augusto Campos)

Eu queria q teu coração acelerasse na minha presença...
que tua mão suasse...
que tua voz faltasse...
que teus olhos não tivessem outra direção que não os meus...
que vc se predesse despercebida do tempo...
e que nada mais importasse pra você...
apenas aqueles singelos segundos
onde a magia se completa
e o universo para e contempla o mais simples...
aquilo que há de mais puro nas pessoas..
e que vc me oferecesse a mão...
e me levasse por caminhos desconhecido
onde eu te protejeria dos teus medos
e vc me daria coragem pra prosseguir
e eu te levaria comigo
até onde o destino nos levasse...

Nunca vou deixar de te amar
Mesmo se você casar
Amar é mais que viver
de manhã ao entardecer
Nunca vou deixar de te amar
lembro-me da brisa do mar
e uma foto você tirar
nela está gravada
o meu sorriso da gratidão
Pois, nunca vou deixar de te amar
na beira do mar ou em qualquer lugar.

LEONARDO SIMIÃO
(Duque de Caxias)

Eu sou o silêncio que invade o som
E a pedra mortal que você tem na mão
A boca calada, a mão que sua
A língua que invade a boca
O olhar que desperta o desejo
O toque que se aproveita do ensejo
Eu sou aquilo que o vento leva
Eu sou a natureza nua
Eu sou as perdas e ganhos
O coração que para
O coração que dispara
Eu sou o amor.