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Poemas com mais de 1.000 caracteres serão divididos em 2 partes. Para ler o poema na íntegra, bastará clicar no título.

Ela dorme depois da dipirona,
sua muito e seu rosto se abateu,
este ateu quase reza ou se flagela
numa zona sombria e conflitante...
Gostaria de achar essa fé pop
que saltita nos templos destes tempos,
nos entope do clima entorpecente
de alegria dormente ou convulsiva...
Meu amor se derrama sobre ela
em desvelos, silêncios, atenções,
na capela das minhas esperanças...
Peço ao caos, ao silêncio, à solidão,
palavras de condão pra sussurrar
e fazer com que a febre "vá de retro"...

Demétrio Sena, Magé-RJ.
demetriosena@gmail.com

Sei quem sou, mas perdi a identidade
quando achei que teu corpo a firmaria,
vi teus prados e tive a ingenuidade
da esperança de minha sesmaria...

Solitária e secreta romaria;
busca infértil de paz, felicidade;
ao te achar não pensei que somaria
mais loucuras à funda insanidade...

O teu corpo é o invólucro do nada;
latifúndio que serve de fachada,
maquiagem forjando o teu avesso...

Tens um rosto, mas falta-te auma cara;
a tu´alma é desvão que se mascara;
és quem sei, mesmo assim te desconheço...

Demétrio Sena, Magé-RJ.
demetriosena@gmail.com

O pensamento
Me traz o sentimento
Que me leva a você
Quero te amar,
te abraçar e
te beijar.
Te desejo em cada momento
Amar você
Amar você
Queira o que eu quero
Que feliz viveremos
Para sempre meu amor.

LEONARDO SIMIÃO
(Duque de Caxias)

Sou tão livre que chego a sentir medo
do segredo de minha liberdade,
tenho tempo de sobra e sempre é cedo
para crer que alcancei maturidade...

Mas não tenho frissom pela verdade
que se ostenta na ponta de algum dedo
cuja mão é uma concha de vaidade;
uma farsa estampada num enredo...

Minha vida está solta pelo éter,
meu caráter dispensa tal suéter
que agasalha tamanha pantomina...

Sei do quanto não sei até o que sei,
o que penso não tem que virar lei
nem a lei do que pensam me domina...

Demétrio Sena, Magé-RJ.
demetriosena@gmail.com

Diluí sentimentos outrora invencíveis,
uma vida se perde nos vagos momentos
do cansaço que acorda o desejo de mundo;
da verdade que brada e me chama prá borda...
Vivo bem desde o dia em que soube quem és,
dei aos pés a certeza do adeus que já dera;
foi o tombo certeiro que me pôs de pé
ou a mágoa bendita que me fez inteiro...
Derrubei os remorsos e dramas da mente,
recompus a minh´alma e colei os destroços,
bem colados; perfeito; nem há cicatriz...
Sou feliz a partir da partida ou do trauma,
desde quando esta calma chegou aos meus olhos
que te viram sem capa; folhagem; disfarce...

Demétrio Sena, Magé-RJ.
demetriosena@gmail.com

Dessa vez seja o pai, vá ser feliz,
deixe o seu amor básico e verbal
como prova de sua consciência;
uma satisfação da não renúncia...
Goze a vida, esparrame seu prazer,
ame o nosso rebento mas se ame
sobre todas as culpas e conflitos;
como regem seus ditos populares...
Quanto a mim, dessa vez serei a mãe;
resolvi me guardar pra ser aquela
que dissolve a novela das paixões...
Será tudo pra mim amar meus frutos,
dar o tempo em razão de suas vidas,
ser feliz por viver dessa missão...

Demétrio Sena, Magé-RJ.
demetriosena@gmail.com

no fundo entendo o branco
apontamento azul
ao lado do beijo
.
(margens
da máscara
de ar)
.
subindo as escadas
sobre bolsas, lixeiras, fundilhos
.
(olheiras quentes
do outro lado do susto)
.
.
.
http://transanonymous.blogspot.com/

Uma chance à cabeça pra ver se repousa;
uma pausa na pressa pra me recompor;
um silêncio que tenha o poder de compressa
na minh´alma ferida; fraturada; exposta...
Mergulhar no meu eu e pescar lá no fundo
as verdades que o mundo acumulou em mim,
mas que deixo guardadas no louco desuso
deste fuso sentido que a vida não faz...
Construir no vazio que sempre senti;
mesmo cheio de farpas e cacos de sonhos
alquebrados; tristonhos; quebrados em mil...
Quero muito essa chance do encontro comigo
ao abrigo do instante que pare no tempo
e me faça esquecer do infinito restante...

Demétrio Sena - magé-RJ.
demetriosena@gmail.com

Como alguém que folheia um tablóide vulgar,
desocupa um lugar, uma lata, um banheiro,
esvazia o xaxim da samambaia morta
ou retira uma porta que o tempo empenou...
Feito quem se desfaz do vestuário roto,
que se livra do esgoto, a gordura no ralo,
faz aquela faxina debaixo do armário,
põe o velho fichário num arquivo nulo...
Tua história sem graça terminou em mim;
dei um fim nesse peso que jazia n´alma,
decompus teus rangidos na minha memória...
Desnudei-me de tudo que te recompunha;
escovei cada unha tirando a sujeira,
te lancei na soleira dos esquecimentos...

Demétrio Sena - Magé-RJ.
demetriosena@gmail.com